terça-feira, 9 de abril de 2013

Odeio Fadas...

A FADA SAFADA----------------- Uma senhora aparentando mais de setenta anos de idade, desceu de um caríssimo carro importado, caminhou em direção à recepção do estrelado restaurante. Encostado a parede do prédio, um garoto de onze anos chorava... A madame chamou o menino e perguntou docemente;- “Por que choras, criança?” O guri olhou assustado para a velhota. Notou o anel de brilhantes, o colar de esmeralda e a bolsa Louis Vitton... “Estou feito!” pensou... “Ganhei o dia.” “Qual o problema que te aflige meu filho?” insistiu a meiga matrona. “Tenho fome... Muita fome!” respondeu o garoto. “Oh, quanta tristeza vejo refletida em teu olhar! Venha comigo até o automóvel... No veículo tenho uma roupa que servirá em você, alem de um tênis maneiro e novinho. E também serás meu convidado para o almoço nesse restaurante super chique.” disse maternalmente a vetusta senhora. O moleque estava encantado, nunca chegara perto de uma Limusine... Notou um frigobar, tevê via satélite, doces que nem sabia que existiam. Muitas notas verdes dentro de um cofre que estava aberto... ”Dólares! Muitos Dólares. Tenho que ganhar a confiança dessa mulher! Vai ser fácil assaltá-la” ponderou o pequeno meliante. Escolheram a melhor mesa, comeram do bom e melhor. O garoto escolheu a sobremesa mais cara, repetiu duas vezes... Já no final da refeição a velhinha não se conteve e perguntou a queima roupa; - “Você acredita em Fadas, meu filho?”. O guri caiu na risada e respondeu; - “Nem em Fadas, nem em Cegonhas, Coelho da Páscoa ou Papai Noel”... “Que pena!” disse a anciã, “Vou à toalete e já volto para pagar a conta, me aguarde!”. Retirou os brincos e o anel de diamantes, colocou-os numa pequena bolsinha, deixou em cima da mesa e se afastou em direção ao banheiro feminino. O menino passou a mão na bolsinha... Com muito cuidado a abriu... Dentro uma meia folha de papel ordinário e escrito nele; - “Sou uma Fada, se lascou malandro!” O garçom chamou os seguranças, ninguém notara a madame rica entrando no restaurante. Realmente havia uma moça com o garoto, uma cúmplice talvez! Bebeu do melhor vinho, saboreou uma excelente lagosta... Não podiam ficar no prejuízo nem chamar a polícia... Estava na cara que o guri era menor de idade e se safaria numa boa... Levaram o safado para os fundos do prédio, deram-lhe uns bons cascudos, o moleque teve que deixar a veste nova e o tênis maneiro como pagamento da comilança... Foi descalço e com uma roupa esfarrapada para a casa... Só uma coisa mudara em sua vida... Passou a acreditar em fadas e a odiar todas elas. Gastão Ferreira/2013

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