terça-feira, 16 de abril de 2013

Final Feliz...

ADOÇÃO... FINAL FELIZ! Todos conhecem a história de Chapeuzinho Vermelho e o Lobo Mau. A vida para Chapeuzinho não foi nada fácil, ficou marcada definitivamente. Rotulada como alguém fútil e digamos assim, um tanto oferecidinha... Na época foi um verdadeiro escândalo, pois pouquíssimas pessoas escapavam incólumes de um encontro com um lobo. A menina cresceu sem amigos, era mal vista na sociedade, tornou-se uma garota solitária, uma moça ingênua, uma mulher mal amada, uma velha ranzinza... Só não passou maiores apuros porque herdou a casa da floresta, era a única neta da vovó. Viveu esquecida de todos. Amargurada e sem amigos. Quando completou oitenta anos de idade, ou melhor, quando chegou a melhor idade, cheia de dores reumáticas, um caquinho de gente, resolveu adotar um amiguinho de quatro patas e acabar de vez com sua imensa solidão. Colocou o famoso chapéu vermelho e dirigiu-se ao Canil Municipal... Foi atendida pela doutora Camila, a famosa protetora de toda a fauna da floresta, tipo assim, uma Marina Silva daquela época longínqua. - “Gostaria de fazer uma adoção, querida!” Disse a senhora de chapéu vermelho. - “Um felino ou um canídeo? Ou talvez um porquinho da Índia, uma capivara, uma preá, um pássaro canoro, um papagaio? Temos mil opções.” Informou a doutora Camila. - “Estou pensando em adotar um canídeo. Vivo sozinha na floresta e nessa altura da vida, alguém para me proteger é fundamental.” Complementou a garota da melhor idade. - “Creio que a melhor opção será um cão de porte pequeno, dócil e fácil de cuidar. A senhora não tem mais idade para ficar se preocupando...” Falou a doutora Camila. - “Como assim? Não tem mais idade! Está me chamando de velha, mocinha?” Exaltou-se a do chapéu. - “Não! De maneira nenhuma minha senhora. Uma pessoa tão bem conservada! Queira desculpar se a ofendi.” Disse uma encabulada doutora Camila. - “Obrigada querida! Hoje estou completando oitenta anos de vida e o seu elogio me deixa tão feliz... Não são todas as que chegam nessa idade vendendo saúde como eu... Vamos escolher o cachorrinho?” Solicitou Chapeuzinho Vermelho. Adentraram o Canil e a doutora Camila foi mostrando cada animal recolhido das ruas e matas pela municipalidade. - “Aqui ficam trancafiados muitas espécies de nosso ecossistema, a maioria abandonada pelos donos. Temos desde filhotes nascidos na instituição, até velhos e solitários animais que tem como último refugio esse abrigo... Repare naquele velho lobo!” Mostrou uma emocionada doutora. - “Meu Bonje! Um lobo. Desde criança que não avisto um lobo... Vamos chegar mais perto!” Solicitou a mocinha da terceira idade. - “Ora, ora! Mas não é a Chapeuzinho Vermelho que vejo a minha frente. A que devo a honra de sua visita após tão longo tempo?” Exclamou o caquético lobo. - “Meu Deus! O lobo que quase comeu minha vovó! Nossa amigo! Você está bem acabadinho...” Disse a senhora. - “Pois é estou chegando aos cem anos de vida. Quando nos conhecemos eu tinha vinte anos de idade e você uma menininha muito sapeca de oito aninhos...” Babou o lobo, olhando eroticamente para Chapeuzinho Vermelho. - “Tolinho! Não fale assim que eu me envergonho. Jamais consegui te esquecer!” Suspirou a senhora de chapéu vermelho. - “Nem eu! Você foi o único ser humano que eu amei realmente...” Choramingou o velho lobo. - “Vou levar você para morar comigo na floresta, só nos dois... Temos tanto para conversar... Eu tenho uma vida inteira para te contar... Nossa! Setenta e dois anos sem nos vermos. Quanto tempo!” Lembrou a do chapéu. A doutora Camila tentou impedir a adoção. O lobo também estava na melhor idade e não duraria muito... Era um tanto selvagem... Poderia talvez até comer a adotante!... Não, isso não! Já passara da idade de comer alguém. A doutora ficou impressionada... Junto à velha senhora de chapéu vermelho, o lobo era dócil e a olhava com aquele olhar de adoração com o qual os cães costumam presentear seus donos... Enfim que sejam felizes! Foi assim que Chapeuzinho Vermelho reencontrou o Lobo Mau... Ambos cheios de experiências, cansados das armadilhas da vida, já não ligam mais para o quê os outros pensam... Só querem ser felizes e com certeza foram, agora sim, felizes para sempre! Gastão Ferreira/2013

Um comentário:

Anônimo disse...

Até que enfim leio uma extensão inédita de um final feliz para um conto que na verdade retrata o despertar sexual e a maturidade menstrual de uma jovem que atinge seu desdobramento máximo na idade avançada.Gostei.