quinta-feira, 15 de novembro de 2012

Zelite...

ZELITE... Quando Euzébio casou, o senhor Conde fez questão de mostrar sua fortuna, afinal Binho não casaria com qualquer uma e sim com a mais prendada das criaturas, Sintya Ramires de Albuquerque Lins, filha do ilustre comendador Ramires Lins, um homem que se fez sozinho... A vida é cheia de surpresas e Mirinho, apelido carinhoso do Comendador, na infância foi de uma pobreza extrema, catador de latinhas, engraxate, menino de recados, pistoleiro de aluguel, posseiro, trambiqueiro. Mau caráter que encontrou na politicagem o trampolim do sucesso. Sintya era um produto de primeira. Na meninice um horror, mas como o dinheiro compra tudo, papai deu um jeito e após a adolescência surgiu uma linda mulher siliconada, dentes implantados, peruca loira importada da Suécia e lindas lentes de contato azuis. Conseguiu permissão para a troca de nome, de Marcolina Lins passou a Sintya Ramires de Albuquerque Lins, a dondoca mais cobiçada pelos caça-dotes da cidade. Papai também comprou um diploma universitário, a garota era um tanto burrinha e jamais saiu do curso básico, agora era uma jornalista muito aplaudida, papai adquiriu um espaço no prestigiado jornal de Lander Vopes e semanalmente a dondoca dá dicas de pratos exóticos. Euzébio, um mequetrefe de primeira nunca necessitou trabalhar, papai Conde o mimoseava com carros, motos, lanchas e o último presente foi um helicóptero. O boy é seu único filho e herdeiro universal. O casamento com a bela Sintya mereceu a mais requintada festa da cidade. O terno de Binho era um Armani e o vestido da noiva confeccionado na Inglaterra, um cantor de sucesso entoou a Ave Maria, um bispo oficiou o casamento e cada convidado recebeu uma lembrancinha do fabuloso evento. Os convidados eram da fina flor da sociedade endinheirada. Muitos comerciantes e profissionais liberais não receberam o convite para as bodas, eram apenas flores e não finas-flores da Zelite local. Após o casório, a festança. As dondocas dondocavam, os políticos politicavam, os comes e bebes de primeira eram consumidas com avidez, as conversas giravam em torno de viagens internacionais e das muitas fofocas que permeiam a vida de quem não tem nada de útil para fazer. Quando o Senhor Conde estava a agradecer a presença de todos, eis que adentrou o recinto um Oficial da Justiça e deu voz de prisão a Leandrinho, filho de um casal famosíssimo na localidade, por não pagamento de pensão alimentícia. A mãe de Drinho fez o maior escândalo, um quebra barraco para ninguém por defeito, um escarcéu que ficará na história e fez questão de acompanhar o mimado pimpolho até a delegacia, se propondo a quitar a dívida na hora. Pois não é que deu um cheque sem fundos! Que vergonha. O Senhor Conde e o Comendador Ramires Lins cortaram relações com os pais de Leandrinho, pois não passavam de falsos ricos, aqueles que comem ovas de Tainha e espalham que degustam caviar... Os que não foram convidados por não merecerem a companhia de gente tão ilustre estão rindo e deram graças por não participarem da baixaria da elite, pois é! Zelite que se presa sempre apronta. Gastão Ferreira/2012

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