terça-feira, 27 de novembro de 2012

XEQUE-MATE...

SATIM & SATUM... O bicho homem desde o inicio dos tempos se compraz em dar nome aos bois. Adão se divertia adoidado no paraíso; - “Aquele animal vou chamar de macaco! Não parece um macaco?”... Ficou meses nessa folia, mal acordava e já saia a dar mil apelidos à bicharada, também não tinha nada à fazer! Depois que foi expulso do Éden passou um bom tempo aprendendo coisas banais... Inventar tijolos para erguer uma casa. Cortar lenha, sem machado, para fazer uma fogueira. Pescar sem anzol, bolar armadilhas para apanhar caça... Uma canseira de dar dó, isso sem contar a obrigação de povoar o mundo, aguentar as brigas dos filhos e as crises existenciais de Eva, codinome “minha ex-costela”. Os descendentes de Adão mantiveram o costume e até hoje continuam a dar nomes e mais nomes a tudo e a todos. Sem nome ninguém sobrevive. Difícil é arrumar uma alcunha nova, parece que todos os apelidos já foram dados. Depois que inventaram as duplas caipiras, a coisa só piorou, aja criatividade! Ateu & Atoa, Cosme & Damião, Joio & Trigo, Papai & Noel, Erótico & Herético, Branco & Negrão, Alceu & Alçado, Cheiroso & Cheirado, Tom & Gerry, Nei & Béte, Almir & Oncinha, Santo & Pecador, Caim & Abel, Satim & Satum... Satim & Satum eram gêmeos idênticos, o que os diferenciava era uma pequena anomalia genética em um dedo do pé de Satim. Foi um grande erro de Seu Agenor ter dado esse nome as inocentes crianças, pois os nomes lembravam Satã, o pai de todos os demônios. Estapeavam-se desde o berço, se odiavam feito Cocho e Berne. O que um fazia o outro destruía e ajam foguetes para tantas maldades! Dona Minervina, uma mulher piedosa e mãe da dupla, nunca se conformou; - “Do mesmo pai! Da mesma mãe! Onde foi que eu errei, meu Bonje?” Na verdade foram as amizades que desencaminharam os pimpolhos. Satim era coleguinha de Junior, um moleque sem caráter, sem vergonha e sem eiras e beiras, que ensinou ao amigo todas as maldades possíveis e impossíveis. Satum era amigão de Atanásio, filho do sacristão Bento de Ogum, um amor de criança. Jamais falou um palavrão, gostava de cães e gatos, defensor dos oprimidos e da Mãe Natureza, um eco-chato de nascença... Quanta diferença! Com o passar do tempo as coisas pioraram. Satum foi estudar fora e Satim permaneceu no vilarejo tomando banho no riacho, roubando peças sacras, quebrando vidraças e perseguindo desafetos. Satum voltou doutor e casado com a maravilhosa Estrela, uma ex-atriz pornô arrependida. Quando Satim viu a bela cunhada, foi amor à primeira vista; - “Essa gata vai ser minha! Custe o que custar.” Seu Agenor e Dona Minervina estavam felizes da vida. A briga entre os filhos era coisa de crianças, agora eram amigos e Satim não saía da casa do irmão. Quando Estrela engravidou, Satim mostrou-se mais contente do que Satum e quando o bebê nasceu soltou foguetes. Satum se babava pelo filhote. Um dia deu uma geral no neném e descobriu que a cria não era sua, havia uma pequena anomalia genética num dedinho do pé, a marca de Satim! Fez o certo. Chamou linda Estrela e Satim, armou o maior barraco e foi embora para a cidade grande viver sua vida de doutor. Satim é um bom pai, assumiu o filho, juntou-se com a bela Estrela, ex-atriz pornô e vivem infelizes. Estrela voltou à antiga atividade as escondidas, apanha do marido, mas trás uma boa grana a cada escapadela. Não sei qual a moral dessa história! Só sei que a vida é igual a um jogo de xadrez em que não passamos de simples peças descartáveis. Os Peões vão à luta, os Cavalos saltam, os Bispos são poderosos, as Torres vigiam, a Rainha pode tudo e o Rei morre... Xeque-mate! Fim. Gastão Ferreira/2012

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