sábado, 8 de setembro de 2012

Apenas uma tradução...

COISAS DE PINDAÍBA... Para os que desconhecem nossas lendas... Pindaíba foi um reino situado na Amazônia legal, um pedaço do Paraíso que tinha tudo para dar certo, água em abundancia, montanhas verdejantes, um povo hospitaleiro que adorava debochar de si mesmo e que sabia que a vida é apenas um pequeno sopro na imensidão do universo... Lendas de Pindaíba são textos encontrados numa antiga caverna e escritos em Nheengatú (a língua boa) a linguagem coloquial dos silvícolas brasileiros, também conhecida como Língua Geral. Os escritos originais foram traduzidos e publicados em (www.gastaodesouzaferreira.blogspot.com) onde poderão ser consultados a qualquer hora pelos interessados nessa antiga civilização desaparecida no tempo. Abaixo mais um texto traduzido; “Foi no império de Imbethsilda-I que as sombras da impunidade dominaram o fantástico Reino de Pindaíba. Há muito as forças do mal rondavam a aprazível localidade, mas os nove Cavaleiros Guardiões, mantenedores da ética e da moralidade combatiam sem trégua o temível monstro. Imbethsilda-I foi coroada rainha por seus próprios méritos, advinda da comunidade dos Guardiões, sempre se mostrara atuante e honesta. Mal assentada no trono, escolheu pessoalmente seus conselheiros íntimos, pajens e o Bobo da Corte. Até hoje permanece a dúvida! Ela sabia ou não que a maioria dos integrantes de sua corte pessoal estava mancomunada com a escuridão? Tadinha da Imbethsilda-I! Foi um período de sofrimento para os habitantes do reino. Saúde deficitária, falta de emprego, prostituição infantil, assassinatos, aumento no tráfico de drogas e invasão de pedintes, marcaram profundamente sua triste passagem pelo trono de nossos ancestrais. Os nove Cavaleiros Guardiões fecharam os olhos aos desmandos da rainha e sua corte de farsantes. Nunca na longa história do reino um seleto grupo de súditos foi nomeado para altos cargos com rendas tão elevadas. A justificativa era que tais pessoas possuíam dotes especiais tinham douto saber e outras invencionices nunca comprovadas. No reino a pobreza era endêmica, apesar dos belos palacetes, reluzentes carruagens e fogosos corcéis Honda e Yamaha, os súditos se trocavam por qualquer bugiganga, uma dentadura, um churrasco, uma lata de cerveja, uma carícia mais ousada, um tapinha carinhoso nas costas, um subemprego para um filho ou parente... Esse era o costume ancestral, essa era uma das razões pelo entrave do progresso. O reino sobreviveu à falta de transparência, a ganância, a imoralidade administrativa. A diferença das outras vezes em que o reino foi sacudido pelo vendaval da politicagem é que os reis foram depostos e execrados publicamente. Desta vez as sombras da mediocridade e pilantragem alastraram suas negras raízes entre a juventude... Chegou a hora de Imbethsilda-I passar a coroa ao seu sucessor legal. Três nobres cavaleiros disputam o trono de Pindaíba, à saber; - O Cavaleiro Jacaré, cognominado O Jovem... O Cavaleiro Coelho, conhecido como ex-guardião mor da moralidade pública... Por último o Cavaleiro Elefante, apelidado O Estrangeiro... Todos são fãs do Jogo do Bicho e com doutorado nos obscuros caminhos da política regional. A rainha escafedeu-se nas entranhas do Palácio Real. Mimoseou suas princesas com belas mansões, pagas a vista e sem choro. Enquanto as magníficas obras de sua administração racham e desmoronam antes da inauguração, os canais aquáticos se tornam inavegáveis, as crianças nascem em solo estranho, a soberana, com sua estranha mania de guardar seu ouro em seu piano, continua a manipular os menos esclarecidos com acenos e beijinhos de dentro de sua luxuosa carruagem. Os duelos verbais entre os três cavaleiros pretendentes ao trono ajuntam multidões e mechem com o imaginário popular... Rojões são detonados dia e noite... Visitas em horas indesejadas irritam as donas de casa... Som altíssimo nas ruas... Estandartes nas estreitas calçadas enervam os transeuntes... Retratos de desconhecidos entulham a maioria das caixas de correspondência. Alem dos três pretendentes ao trono, perto de cento e sessenta cidadãos da mais fina origem e ilibado conhecimento, disputam entre si os nove cargos de Veneráveis Guardiões. Pindaíba aguarda com ansiedade e certa curiosidade, o fim das baixarias verbais entre os pretensos Nobres Guardiões, o fim da era das trevas se aproxima e o começo de um novo ciclo, onde a transparência, o bom senso e a civilidade governarão o destino do reino está chegando... Oxalá dê certo dessa vez!” OBSERVAÇÃO NECESSÁRIA - Texto extraído aleatoriamente das “Crônicas de Pindaíba”, Nheengatú é uma língua extinta e de difícil tradução... Aguardem pacientemente a revelação de novos acontecimentos... Qual dos nobres cavaleiros conquistou a coroa? O que aconteceu com a Rainha? Quem são os novos nove Guardiões da moralidade e da ética? Também eu estou curioso para saber... Vamos aguardar! Gastão Ferreira/2012

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