terça-feira, 3 de julho de 2012

Somos todos passageiros...


O PSICÓLOGO


         Jean Píer tinha seus pequenos problemas e sofria feito um condenado. Perto de completar 15 primaveras e 34 verões, estava chegando aos cinquenta outonos... Uma criança, perto da idade de Matusalém, dizia.
         O “pequeno problema” de Píer é que nunca conseguiu definir sua opção sexual. Passava seis meses como Jean e oito meses como Juanita, a excêntrica. Píer curtia esportes radicais e Juanita adorava bordado, um bebia cachaça a outra cidra e champanha, um gostava de sambar a outra dançava balé. Esse estilo de vida estava acabando com o moço e ele finalmente resolveu procurar um psicólogo.
         Adentrou a casa de vovó Nachel e foi logo exigindo; - “Quero um Paletó Vermelho”, todos sabiam que tal pinga era para macho, “encontrei um psicólogo que resolveu meu probleminha”, sussurrou como a querer trocar segredos com a vovó. “Que bom!” disse a velhinha, “o que ele falou?”
         - “Falou que tudo na vida é passageiro...”
         - “Muito interessante! O doutor é um gênio.”
         - “Também falou que a vida é minha e que ninguém paga a minha conta de água e luz...”
         - “Caramba! O cara é bom de mais... Deu resultado a consulta?”
         - “Sim, as mulheres me seguem na rua, admiram meu porte atlético, meu sorriso viril, pedem que eu lhes pague rodadas de cerveja e tira-gostos...”
         - “E?...”
         - “Ainda não encontrei o motel ideal para iniciar minha carreira de garanhão...”
         - “Ohhh!... Você não pode perder tempo, meu filho.” Disse vovó Nachel.
         - “Eu sei vovó, afinal, como disse o psicólogo; - Tudo na vida é passageiro...”
         - “E como fica o motorista e o cobrador?” Perguntou vovó.
         - “É mesmo! E tem também o fiscal...”
         - “É verdade! Será que o doutor era um charlatão?”
         - “Que nada garoto! Não esquenta... Nada como um dia atrás do outro...”
         - “Não fale assim que eu posso ter uma recaída!”
         - “Mas por que uma recaída?”
         - “Essa coisa de um atrás do outro é fatal...”
         - “Píer! Beba outra cachaça...”
         - “Não vovó Nachel! Ainda tem daquela cidra super gostosa de que tanto gosto?”
         - “Ah Juanita! Bem vinda ao mundo real, menina...”
        

Moral da história:- Não misture! Tem gente que gosta de pinga, tem gente que gosta de vinho, tem quem goste de champanha... O importante é ser feliz! Não esquente com o motorista e o cobrador... Siga a viagem e aproveite cada segundo de sua vida, assim como você ela é única e intransferível... Bom Voyage.

Gastão Ferreira/2012
         

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