sexta-feira, 6 de julho de 2012

O fim da odisseia...


EM MEMÓRIA DE ULISSES


         Na noite em que a sombra de Penélope desceu a casa dos mortos, Odisseus convocou os habitantes de Ítaca e coroou Telêmaco, seu filho, como o novo rei. Envolveu em fina mortalha o corpo da amada, armazenou víveres num pequeno barco e adentrou o vasto mar.
         A muito fizera a paz com Posseidom, humilde pediu que o poderoso senhor do reino marinho o conduzisse a ilha de Circe, a feiticeira eternamente jovem. Quem sabe a maga, com seus encantamentos, devolvesse a vida à Penélope.
         Éolo, pai dos ventos, soprou pessoalmente as fúnebres e negras velas. Sereias, Tritãos e Nereidas seguiam em cortejo o barco do destemido herói. Do Olimpo os deuses imortais espiavam a derradeira aventura de Odisseus.
         Avisada por Hermes, o mensageiro celestial, Circe aguardava na praia a chegada da embarcação do antigo amante. Eternamente jovem, a maga contrastava com a senilidade do grego. Odisseus era agora considerado um estranho e sua presença na ilha não era bem vinda, fora uma interdição divina e devia ser obedecida. Não havia mágoa, ela lhe ofertara a juventude e a imortalidade junto a si, ele preferiu voltar aos braços da esposa mortal, os deuses aprovaram a escolha.
         Odisseus suplicou a Circe que devolvesse a Penélope o sopro da vida. Era provável que nesse exato momento, sua amada, rondasse as portas da região dos mortos. Sem os ritos fúnebres Caronte não a transportaria em seu barco. Ainda era tempo de trazê-la ao mundo dos vivos.
         Circe explicou a Odisseus que não possuía conhecimento suficiente para vencer a Morte, um dia ela também viria a seu encontro. O herói em desespero rogou aos eternos que o ajudassem. Fora amado por muitos deuses e merecia auxílio nessa hora de dor.
         Apolo que brilhava no alto parou o carro do Sol. Posseidom serenou o mar, o Olimpo inteiro intercedia por Odisseus. Zeus concordou e Palas Atenas se materializou frente ao herói e disse;-“Velho amigo! Venho da parte do pai de todos, a lei é eterna e imutável, mas em reconhecimento a seus feitos heroico do passado, Zeus meu pai decidiu que sua esposa permanecerá no Hades e você Odisseus poderá compartilhar da juventude e imortalidade junto a Circe. A segunda opção é acompanhar Penélope ao mundo subterrâneo.”
         Odisseus, velho, cansado, quase senil, com os olhos marejados respondeu a deusa; -“ Palas Atenas, deusa da sabedoria, por vinte anos sofri com a separação da amada esposa de minha juventude. Afrontei aos deuses para reconquistá-la, não será a mísera Morte que há de nos separar. Cumpra a ordem do pai dos deuses e dos homens! Sigo junto a Penélope para os domínios de Hades.”
         Suas sombras de mãos dadas já encontraram Heitor, o mais nobre dos heróis troianos. Aquiles, o maior guerreiro de todos os tempos os abraçou e muitos outros, entre eles Ajax, Nestor, Pátroclo, Polux, Agamenon os reverenciam. O casal está em paz e juntos permanecerão para sempre. Odisseus sonha com seus feitos heroicos e Penélope tece para a eternidade a sua história imortal.

Gastão Ferreira/2012      

Nenhum comentário: