quinta-feira, 26 de julho de 2012

Versão moderna...

PSICOPATA Magali Aparecida das Dores desceu da árvore. Nenhum arranhão. No chão a cesta com os doces e ao lado a sua capa vermelha de uso diário. Contou as guloseimas e faltavam três. O desgraçado havia comido! Que bom. Enterrou os outros petiscos e deixou na cestinha apenas o bolo. Vovó Tassia abraçou a neta. Mad apelido carinhoso de Magali Aparecida das Dores estava uma mocinha. Devido a uma pequena desavença com a nora problemática, vovó juntara suas poucas tralhas e se mudara para uma pequena, mas aconchegante casa na floresta. A floresta tinha seus encantos. Muitos pássaros canoros, animais de várias espécies, regatos sonolentos, árvores frutíferas. O único fator destoante eram os lobos. Os lobos atacavam os viajantes e vovó apesar de adorar as visitas da neta Magali, ficava receosa de que acontecesse o pior com a jovem. Magali se deliciava com as visitas à vovó... A velha era uma senhora fofoqueira e sabia dos segredos mais secretos dos habitantes da vila. Bastava um copo a mais de licor para que ela contasse as mais sórdidas histórias, vovó Tassia esquecia que Magali era apenas uma guria extremamente sensível. Na vila o tempo passava despercebido. Todos sabiam que o inverno estava chegando quando os patos selvagens desapareciam. Que era outono pela queda das folhas. Verão pela quantidade imensa de pernilongos infernizando a vida da população, primavera pelas flores e namoricos entre animais no cio. Os habitantes do lugarejo eram festeiros e gostavam de um bom vinho, uma caipirinha no capricho, um gole de pinga, ou seja, eram todos alcoólatras anônimos. Diz o ditado que pé de bêbado não tem dono e muita sacanagem rolava entre uma dose e outra. De tempos em tempos apareciam cartas anônimas pedindo dinheiro em troca da não revelação de segredos inconfessos. Temerosas de ficarem mal faladas, as donzelas se desfaziam de pequenos mimos, brincos, pingentes, pulseiras de ouro. Tudo ganho através de ousados carinhos, tórridas noites de sexo selvagem ou pequenas sacanagens não especificadas. Como o mundo é falso ninguém contava das cartas anônimas. Quando questionadas sobre as joias desaparecidas as mocinhas simplesmente afirmavam que perderam. Eram conhecidas como “as perdidas”, assim a vida continuava na rotina de sempre. Os homens trabalhavam para terem o seu ouro, as mulheres inventavam mil maneiras de rapinarem o ouro dos homens, as crianças brincavam e aprendiam todas as malandragens possíveis, Magali enriquecia secretamente. Magali Aparecida das Dores era filha de Mafalda Amélia das Dores, uma exímia costureira e modista. Aprendera com a mãe a arte da costura... Sua especialidade? As roupas de pele. Os lobos apesar de sanguinários não podiam ser exterminados, uma lei contra a matança de animais silvestres assim determinava. Magali nunca ligou para a lei e secretamente envenenava os lobos. Sabia que a fera gostava de doces e assim recheava os petiscos com os mais mortíferos venenos, também sabia do fetiche da capa vermelha e atraia o animal para uma emboscada fatal. Nas visitas à vovó, levava dez doces envenenados e fazia questão de passar pela trilha dos lobos. Com sua capa vermelha atraía o bicho e quando perseguida largava a cestinha e subia numa árvore. O lobo, muito curioso, sempre comia os doces e o veneno mortal agia rapidamente. Ao voltar da casa da vovó, Magali retirava cuidadosamente a pele do animal assassinado e era assim que obtia o material para confeccionar as roupas. Dizem que o ouro corrompe... Magali queria enriquecer e através das fofocas da vovó passou a chantagear muita gente. As pessoas se desfazem de tudo para não terem seus pequenos e grandes deslizes revelados a luz do dia. O butim de Magali aumentava continuamente. Um dia ela foi premiada com uma carta anônima; - “Eu sei o que você faz na floresta... Aguarde instruções, quero o seu ouro.” Para Magali a única pessoa confiável era vovó Tassia e foi a ela que recorreu nessa hora amarga. Esperta, a menina não contou das cartas que enviava às donzelas. Resolveram sair na calada da noite e mudarem para a cidade grande... Vida nova, novas oportunidades. Magali nunca descobriu que a carta que recebera era da vovó Tassia, a velha estava cansada da vidinha medíocre e queria conhecer as benesses da vida civilizada. Compraram um belo sobrado de altos muros. A cidade era pacata e milhares de turistas vinham conhecer uma magnífica cruz de pedra que ornamentava a praça principal. Foguetes confirmavam a tradição festeira do logradouro. Bares, eventos regados a bebidas alcoólicas, muita sacanagem rolando na noite, uma excelente fonte para futuras cartas anônimas... Ontem recebi um bilhete; - “Eu sei o que você aprontou no Banho da Mocréia... Dois mil Reais e você recebe a gravação com o filme original... Aguarde novas instruções.” A psicopata da Magali já está entre nós. Gastão Ferreira/2012

quarta-feira, 25 de julho de 2012

Histórias que me contaram...

TRÊS PERNAS NO PODER... Tudo começou com a pré-candidatura de Wandinho Três Pernas à vereança. As senhoras de família achavam horrível votar em alguém apelidado de Três Pernas, as moças crentes julgavam ser coisa de Satanás, as mais bobinhas achavam lindo o apelido e as espertinhas sorriam. Naquele fim de semana, no boteco erótico de vovó Nachel, a discussão foi acalorada. Ermelinda Carne de Vaca vulgo Linda Vaca, Mery Casquinha e irmã Laurenciana codinome Laure a Arrependida confabulavam sobre o candidato. Irmã Laure lembrou que Wandinho acabara de receber de um instituto de pesquisa o título de Personalidade Revelação do Ano... Bastou Mery Casquinha sorriu que irmã Arrependida se encheu de brios; - “Eu estava lá! Eu participei do jantar de 500 Reais por pessoa, eu comprei a gravação do evento por 2.000 Reais e posso provar o que digo... Meu candidato discursou bonito... É ele! É ele! É ele.” Linda Carne de Vaca não se deu por vencida; - “Irmã, isso tudo é uma armação! Onde se viu pagar 500 Reais por um prato exótico e desde quando Bacalhau é prato exótico? Me poupe!” - “É nisso que dá contar as novidades para gente pobre! O que eu paguei foi à companhia. Jantei com as famílias mais tradicionais, os nababos da cidade, as pessoas acima de qualquer suspeitas, a fina flor da sociedade... Vocês jamais saberão o gostinho especial de olhar uma madama fazendo beicinho ao provar um uísque importado, as caras e bocas para o garçom, as conversas de alto nível entre pessoas educadas e sensíveis...” Explicou irmã Laure. Carne de Vaca não deixou barato; - “É verdade irmã, nossas Santas Socialites são um exemplo vivo de educação e humildade... Madame Heliodora, que foi amante secreta de cinco padres, que o diga!” - “Que coisa feia apontar supostos deslizes alheios! Eu já fui do mundo, mas hoje tenho certeza que tais mexericos são coisa do Demônio. Amarra-o Jesus! Estou aqui para discutirmos se aderimos ou não a campanha do amigo Wandinho Três Pernas.” Comentou A Arrependida. Mery Casquinha, a com mais estudo dentre as três, foi clara e taxativa; - “Amigas, vamos ser objetivas... Estamos na maior duranga e precisamos de algum dindim... Wandinho está por cima da carne seca, pode pagar e está escolhendo entre as garotas mais belas e sensuais seus cabos eleitorais, não podemos perder esta oportunidade que só ocorre a cada quatro anos.” - “Concordo em parte com você Mary Casquinha, mas creio que devemos zelar por nosso bom nome... Na cidade dão apelidos por qualquer bobagem... Passar a ser conhecida como “As Garotas de Três Pernas” não será nada fácil!” Disse Linda Carne de Vaca. - “Carne de Vaca, conheço Wandinho desde criança e a não serem as coisas normais que qualquer um faz no escurinho do barzinho e as anormais quando está fantasiado, seja no Banho da Mocréia ou em baile a fantasia nada consta que desaprove moralmente meu amigo Dinho a Santa, opa, digo Wandinho Três Pernas.” Rebateu Mary Casquinha. - “Todos sabem que já fui do chifre virado... Droguei-me, me prostitui, me troquei por pó e pedra. Dormi com homens, mulheres e com um macaco amestrado de um circo que passou pela cidade... Nunca beijei na boca por dinheiro... Estava perdida nas trevas do pecado, conheci Jesus, e, ele me salvou... Amarrou todos os demônios e eu Laurenciana dos Prazeres, passei a ser Irmã Laure a Arrependida... Conto isso em segredo, pois Wandinho se entregou a Jesus junto comigo e conheço o mistério das Três Pernas...” - “Meu Bonje! Conta, conta...” Pediram Casquinha e Vaca. - “Vocês sabem que Wandinho antes de Amarrar o Demônio era um tanto descuidado... Tanto que fez juz ao apelido Dinho a Santa... Igual a mim, ele arrependeu-se... Vovó Nachel vira e mexe afastava alguns encostos que teimavam em compartilhar suas experiências sexuais negativas com A Santa... Quando recebeu as luzes da verdade, temeroso que as entidades trevosas o atormentassem vendeu todas as cadeiras que tinha em casa e comprou muitos banquinhos de madeira, igual a estes que tem em balcão de alguns bares, aquele banquinho que tem três pernas...”Explicava Irmã Laure. - “E o que aconteceu?” Perguntou Linda Carne de Vaca. - “No culto dominical ele contou a sua história... Lavou a alma pecadora, está com a Paz do Senhor dentro de si e explicou que trocou as cadeiras pelos banquinhos de três pernas porque banquinhos de três pernas NÃO TÊM ENCOSTOS... Eis o porquê do apelido Wandinho Três Pernas...” Concluiu irmã Laure a Arrependida. - “Que linda história!” Disse Mary Casquinha com os olhos marejados. - “Estou arrepiada e a partir desse momento eu vou lutar de corpo e alma pela vitória de Três Pernas...” Afirmou Linda Carne de Vaca. E foi assim que Wandinho Três Pernas conquistou o coração, a mente e o voto de milhares de pessoas crédulas. Foi o maior trambiqueiro, corrupto e pilantra que passou pela política regional. Tudo começou quando Dinho a Santa e Laure dos Prazeres montaram um grande esquema para engambelar os tolos que acreditam em qualquer história sem pé nem cabeça, igual a esta... Gastão Ferreira/2012

quarta-feira, 18 de julho de 2012

Dona Sinhá...


DONA SINHÁ


         Eram tempos difíceis, a família do coronel Marcondes passava por um período de vacas magras. Não! O coronel não era fazendeiro. Possuía um engenho de arroz e a produtividade estava em queda. O casamento de Emerenciana com Daniel, o filho de João Dornas, o grande industrial, talvez fosse à solução.
         Merê apelido de Emerenciana, uma jovem de quinze anos, quase uma titia para uma época em que as mocinhas costumavam casar aos treze anos. Criada dentro dos rígidos princípios de então, moradora do entorno da Praça da Matriz, assistia a duas missas diárias. Um amor de menina! Seu censo de humanismo a levava a espancar diversas vezes ao dia suas escravas; - “Nada como uma boa chicotada para impor respeito” dizia. Era odiada pela criadagem.
         Daniel comprou e reformou um antigo sobrado. Ali seria seu ninho de amor, livre da vigilância paterna finalmente realizaria seu sonho secreto, amar sem reservas a dona de seu coração. Encomendou os móveis no Rio de Janeiro, as finas alfaias vieram da Europa, as louças de Portugal. Sua amada merecia do bom e do melhor.
         Merê não amava Daniel, o casamento seria pura conveniência, a maneira pela qual seu pai fugiria a falência. O enxoval estava pronto há muitos anos, a única lembrança que levaria da casa paterna seria um quadro em que ela abraçada a uma magnífica Cruz de Pedra confirmava sua fé. A Cruz viera de Portugal e enfeitava o frontispício da Igreja, uma obra de arte para nenhum pagão por defeito.
         As bodas foram supimpas, a fina flor da sociedade estava presente, no cais do porto dezenas de barcos vindos dos mais diversos engenhos da região, coches e cabriolés engalanados chegavam dos palacetes, liteiras conduzidas por escravos traziam as madames e senhoras da elite. Um coral entoava os hinos de núpcias, as damas de companhia e os jovens pajens escolhidos entre as famílias mais nobres, nenhum pobre para por defeito nos arranjos... Uma festa para os abastados e seus herdeiros.
         Na nova casa os serviçais estavam a postos. Jair era o moleque responsável pelos recados, Joaquim o condutor do coche familiar, Anízia a cozinheira tendo Andréa e Marta como ajudantes. A jovem Benedicta era a mucama e responsável pelo bom desempenho dos demais escravos. Merê odiou todos eles e não via a hora de educá-los convenientemente.
         O coronel Marcondes visitava amiúde a única filha e insistia que estava na hora de Daniel ajudá-lo a sair da pindaíba. Merê devia agir conquistando a confiança do marido e solicitar auxílio, foi para isso que casara com o ricaço. Merê notou que Benedicta ouvira a conversa entre ela e o pai... Chamou a atenção da mucama com dois sonoros bofetões e informou que da próxima vez seria açoitada.
         Daniel permanecia insensível aos problemas do sogro que acabou indo a falência. O coronel Marcondes tornou-se inimigo mortal do genro, conseguiu que a filha desviasse alguns recursos do marido e montou um pequeno negócio fora da cidade. Merê começou a mostrar sua verdadeira personalidade, mal amada, rancorosa, mesquinha, descontava nos escravos seu rancor... O tempo foi passando e a vida no sobrado era um inferno.
         João Dornas vendeu suas propriedades e montou uma nova firma no Rio de Janeiro. Daniel foi visitar o pai e levou Jair e Joaquim... Merê também foi passar alguns dias com os pais e juntos tramaram a morte de Daniel. Ao voltar para a cidade, Benedicta, Anizia, Andrea e Marta haviam desaparecido. Merê mandou chamar seu pai para resolver a situação, contratar um Capitão da Mata para capturar as fugitivas, açoitá-las no pelourinho e recuperar tudo o que as escravas roubaram, pois as pratarias e o ouro desapareceram com elas. Foram consultar o juiz para tomar as devidas providencias.
         O Juiz informou que nada havia a fazer, que Daniel vendera o palacete e que os escravos como propriedades pessoais o seguiram. Que Merê lesse com atenção o contrato nupcial, ele fora feito com separação de bens e a lei dizia que suas posses eram o que levara consigo ao casar. Merê só pode retirar da casa o quadro em que ela abraçava a Cruz de Pedra e mais nada, pois até suas suntuosas roupas foram levadas pelas escravas.
         Emerenciana foi morar com os pais e atendia aos fregueses na vendinha a beira da estrada, era tratada como Dona Sinhá. Um dia atendendo um cliente desconhecido ficou sabendo que era um caixeiro viajante e trabalhava na firma do milionário João Dornas com sede no Rio de Janeiro. Com muito jeito conseguiu informações do seu ex-marido. O caixeiro contou que João Dornas tinha um filho de nome Daniel, um homem muito corajoso, que enfrentou a sociedade e a família para ficar com a pessoa que amava desde a juventude, uma morena chamada Benedicta, seu grande amor e companheira... Era muito feliz! Nesses tempos modernos, de muitas mudanças, com o poder do ouro tudo era aceito.
         Dona Sinhá envelheceu sozinha, uma mulher amarga sem amigos sinceros, uma mulher que pensa ser o ouro a melhor companhia, uma solitária convivendo com fantasmas e se julgando acima do bem e do mal... Olhando para o quadro em que abraça a Cruz de Pedra, com os olhos marejados de lágrimas, relembra o passado; - “Tudo poderia ser diferente, eu plantei! Eu colhi.”

Gastão Ferreira/2012
        

quinta-feira, 12 de julho de 2012

Quem não conhece uma... Zinha!


COMPLEXO DE SINHAZINHA


                Nossa amada cidade foi palco recentemente de um estudo profundo sobre a psicologia humana. Cientistas da área de comportamento ambiental entrevistaram remanescentes das antigas famílias de colonizadores e chegaram a conclusões surpreendentes.
         Na atualidade não existem mais segredos para a ciência. Na era quântica, de computadores hiperinterativos, basta meia dúzia de toques digitais e todo o conhecimento armazenado é apresentado em questões de segundos.
         Algumas pessoas se perguntavam o porquê da estranha mania de virar o rosto, cuspir nos pés de quem passa na rua, fazer cara de nojo ao olhar para um desafeto, fatos que ocorrem com tanta frequência em nossa cidade.
         Os cientistas chegaram à conclusão que pessoas mal amadas, com desvios comportamentais, com síndrome de Deus, que se acham a última Manjuba do Ribeira, podem ocasionalmente apresentarem tais sintomas. No mundo moderno este comportamento diferenciado é visto como preconceituoso e coisa de pobre de espírito.
         O portador dessa síndrome é visto como alguém fora da realidade. Imaturo psicologicamente ainda não percebe que pessoas são o que são e não o que queremos que seja. Que cada ser humano tem o direito de viver segundo sua consciência e no seu próprio quadrado.
         Os estudiosos denominaram este comportamento vexatório de “Complexo de Sinhazinha”. Os possuidores desse desvio ao serem entrevistados foram unanimes em afirmarem que gostariam de ver seus desafetos num pelourinho... Que oravam diariamente pedindo a Deus que tivesse misericórdia dessa ralé, desses párias sociais, desses sem eiras nem beiras que ousavam contestar um sangue nobre.
         Os cientistas aprofundaram suas pesquisas e descobriram que na maioria dos eventos de “Complexo de Sinhazinha”, o doente não passava de um “arrota salmão”, ou seja, alguém que come Manjuba e arrota Salmão... A cura para esta horrível moléstia não foi descoberta, pois depende de um sentimento chamado “semancol” e que falta por incapacidade de tolerância e humildade na totalidade dos que apresentam a síndrome.
         Agradecemos aos ilustres cientistas e pesquisadores. Agora que sabemos a causa desse estranho comportamento que afeta muitos entre nós, podemos ficar de consciência tranquila. Mau caráter... Falta de humildade, ressentimento, são a evidencia de pobreza de espírito e um dia terá cura. Que o Bom Jesus, nosso amado protetor, que a dois mil anos teima em nos informar que amar ao próximo como a nós mesmos é o único caminho seguro para a felicidade continue a nos aturar.

Gastão Ferreira/2012
        
         

quarta-feira, 11 de julho de 2012

Sei não!...


BRANCA DE IGUAPE


         Em pleno ano da graça de Nosso Senhor de 1809, Branca de Iguape desapareceu misteriosamente. Herdeira da abastada família Pontes Bandeira, proprietária de engenhos, navios, sítios e escravos, era a fortuna personalizada. Seus amados pais gastaram rios de dinheiros à sua procura. Açoitaram, mataram e torturaram seus muitos escravos tentando descobrir se sabiam de algo. A donzela nunca foi encontrada...
         Em pleno ano, sem muita graça de 2013, Branca apareceu branca de susto na Praça da Basílica, longos cabelos, vestindo a moda do século XIX, falando um português arcaico.  Faminta e desesperada pedia auxílio. Alguns transeuntes pensavam ser uma nova moradora de rua recém-chegada. Outros uma encenação para chamar turistas e poucos acreditavam que a rapariga fosse uma nóia em surto psicótico.
         Acampou junto aos numerosos pedintes que haviam se apossado da Orla do Mangue. Ganhou o tão famoso “passe livre” para fazer tudo o que lhe desse na telha sem ser importunada e outro “passe cidadã” que lhe dava o direito de azucrinar turistas, achacar velhinhas e utilizar as calçadas da cidade como latrina.
         Ao grupo de moradores de rua, Branca contou uma triste história. O ano era 1809, disso tinha certeza, pois D. João VI chegara com a corte imperial um ano antes, seu pai soltara muitos rojões em comemoração à vinda do rei ao Brasil. A cidade esperava as graças do imperador para construir um Valinho Comprido para ligar o Mar Pequeno ao Rio Ribeira e foi nesse ano que algo muito estranho aconteceu.
         Na tarde de oito de setembro de 1809, após assistir as missas das sete, das oito e das nove da manhã, ter espancado cinco vezes uma escrava desobediente que teimava em nunca acertar o que a sinhazinha estava pensando, dirigiu-se ao sitio conhecido como “Caverna do Ódio” e foi adentrando o túnel sombrio. Uma sonolência tomou conta, ela dormiu e acordou nesse mundo que não entende. Que pensa ser um pesadelo, um sonho ruim.
         A cidade que recorda era pequena, ruas de terra sempre limpa, bons pelourinhos, chafarizes fornecendo água límpida da Fonte de Cima, vendedores ambulantes de porta em porta entregando o leite e verduras do dia. Um porto com muitos navios, pessoas bem vestidas e ao longe a orla da ilha.
         Com certeza estava tendo um horrível pesadelo, acordara num mundo em que as carroças não possuíam cavalos para puxá-las, caixas falavam e mostravam imagem de pessoas desconhecidas, a noite era iluminada por pequenos sóis sobre postes, pássaros de ferro voavam nas alturas, os casarões estavam em ruínas, a igreja estava concluída e na montanha havia alguém sempre de braços abertos... Coisa de doidos! A comida não era mais a mesma, a fala difícil de entender, o sobrado onde vivera não mais existia, do belo porto nem sombra! Onde estão os escravos? A plebe vil que a olhava submissa? A elite de nariz empinado e com cara de nojo aos menos favorecidos? Todos sumiram! Escafederam-se!
         Ninguém acreditava em sua fantástica história; - “O que faz uma boa pedra!” diziam. Branca sofria com o desdém dos moradores da cidade, parecia que virara um fantasma, uma nuvem, uma pedra de rua. Acostumada com o bom e o melhor, agora comia sobras que encontrava em sacos de lixo, dormia ao relento e banho, nem pensar... Vai ver morrera e estava no inferno! Padre Theophilo sempre explicara que o inferno era para os pobres, os que não davam esmolas, aos ignorantes da palavra do Senhor.
         Branca passava horas admirando a fascinante Cruz de Pedra, o encantador monumento que atrai milhares de turistas à cidade, tinha certeza que já vira aquela belíssima cruz em outra época e era tal fato que não a deixava enlouquecer. Um dia, cansada e fedida, foi rever a “Caverna do Ódio” e nunca mais voltou.
         Escrevi a estranha história de Branca de Iguape, na verdade não tenho certeza se a moça era muito criativa e inventava tais fatos para ganhar alguns trocados, ou, dormiu por duzentos anos como afirmava... Deixo registrada sua lenda, quem sabe num futuro muito, muito distante ela reapareça. Ela me presenteou com uma moeda, um patacão do século XVIII, disse que em sua época era com essa moeda que comprava rebuscados no emphorio da rua da palha... Sei não!

Gastão Ferreira/2012      
        
            

sábado, 7 de julho de 2012

Meio míope...


A CIDADE DAS LOMBADAS


         A Princesa do Litoral estava eufórica. Acompanhada de Josephus seu secretário, cocheiro, conselheiro e pau-mandado, sua alteza a cada visita ao reino ficava mais animada. Sempre havia novidade, observadora e atenta, a ela nada escapava. Um tanto míope devido à idade, seu otimismo em relação ao feudo que herdara de Portugal era perene. Em seus 474 anos de existência seguia todas as conquistas de seus amados súditos; - “Josephus! Olha os novos e magníficos monumentos...”
         - “Que monumentos Princesa?” Perguntou Josephus.
         - “Estas modernidades ao lado da barragem...”
         - “Oh majestade! São estruturas metálicas das comportas que há um bom tempo estão enferrujando ao relento...”
         - “Depois da belíssima e cara Cruz de Pedra colocada na Praça da Basílica, pensei que outros monumentos surgiriam! Sem problemas! Adoro meus súditos e sou correspondida. Está ouvindo os rojões? Uma homenagem a minha visita...”
         - “Que nada alteza! Os foguetes são das convenções partidárias para a escolha do novo alcaide... A forma encontrada para anunciar a plebe vil que os espetinhos de gato estão a ser servidos são os rojões...”
         - “Ah os eternos costumes da realeza! Pão e circo garantindo o poder... Nooossa Josephus! Uma plantação de montanhas na Orla do Valo Grande...”
         - “Que nada majestade! É lombadas, a nova moda que invadiu a cidade, são milhares...”
         - “Nada como conferir pessoalmente a chegada do progresso...”
         - “Quem inventou a sinaleira foi um burro!”
         - “Não entendi a piadinha infame!”
         - “Majestade! Quem será que produz estes filhotes de montanha? Normalmente as lombadas são mais baixas e menos largas. Não ficam tão próximas umas das outras. Assim como foram distribuídas só servem para danificar os veículos... Já que alguém gosta tanto de novidades por que não mandou colocar sinaleiras nas encruzilhadas das principais avenidas? Seria mais prático e mais barato...”
         - “É Josephus, aí tem mão de raposa!”
         - “Ou outra coisa alteza!”
         - “Você reparou a quantidade de cestas de lixo pelas quais passamos? Cidade limpa é saúde...”
         - “Quáquáquáquá...”
         - “Meu Bonje! Parece que vi um casal pelado naquela moita...”
         - “É uma nova modalidade para atrair turista!”
         - “Como assim Josephus?”
         - “Os pedintes e mendigos que fazem questão de serem chamados de moradores de rua ou sem teto, que possuem o sacro direito de ir e vir, defecar nas calçadas, urinar na rua e xingar quem trabalha, reivindicaram o direito de sexo livre nos locais públicos...”
         - “Meu Bonje!”
         - “São mais de quarenta vagando pelas ruas, a maioria jovem e dentre eles garotos de programa, prostitutas e travestis...”
         - “E o povo não reclama?”
         - “Fazem cara de nuvem, mudam de calçada temerosos de criticar quem detém o monopólio para fazer o que bem quer...”
         - “Você está exagerando Josephus!”
         - “Saiba Vossa Majestade que eles já se apossaram da Orla do Mangue, do velho prédio da Santa Casa, de muitas frentes de comercio e de algumas praças...”
         - “Coitada da população...”
         - “Sim! Os bancos, lotérica e muitas lojas estão abandonando o centro histórico, as pessoas evitam o máximo passar pelos locais onde os pedintes mandam e desmandam...”
         - “Mandam e desmandam?”
         - “Seguram nos braços dos transeuntes, obrigam os donos de automóveis a pagar pedágio, assediam quem faz compras em supermercados, pessoas e lojas estão sendo assaltadas...”
         - “Mas os jornais não falam nada! Só exaltam o fantástico turismo regional...”
         - “Turista perturbado não volta...”
         - “Que vergonha! Vamos mudar de assunto... Quero passar frente ao prédio do Correio Velho e conferir o andamento da reforma...”
         - “Que reforma Majestade?”
         - “Assisti na televisão, li nos jornais, vi na internet... Covidaram a plebe a dar um abraço no velho prédio, fizeram discursos, soltaram foguetes, apresentaram uma peça de teatro, tudo como despedida e inicio de novos tempos...”
         - “Não estou sabendo! Nossos agentes secretos não detectaram nenhum movimento suspeito no local nos últimos dias...”
         - “Espia Josephus! As luzes da passarela estão apagadas... Será alguma homenagem ao dia do meio ambiente?”
         - “Desculpa Alteza! Os eleitos pelo povo afirmam que não há nada de errado com a iluminação da passarela... A senhora está enganada!”
         - “Mas não tem luz!”
         - “Majestade! Acho bom terminarmos com o passeio. A senhora quer ser apontada como alguém que não ama a cidade? Que só sabe criticar? Alguém que só vê coisa ruim? Só falta a senhora dizer que a nova obra faraônica da Beira do Valo está rachando, que aumentou o numero de nóias, de assaltos e outras mentiras para denegrir tão bela e pacata cidade...”
         - “Eu? Nem pensar. Vamos cair fora antes que alguém nos processe por difamação.”


Gastão Ferreira/2012 
          

sexta-feira, 6 de julho de 2012

O fim da odisseia...


EM MEMÓRIA DE ULISSES


         Na noite em que a sombra de Penélope desceu a casa dos mortos, Odisseus convocou os habitantes de Ítaca e coroou Telêmaco, seu filho, como o novo rei. Envolveu em fina mortalha o corpo da amada, armazenou víveres num pequeno barco e adentrou o vasto mar.
         A muito fizera a paz com Posseidom, humilde pediu que o poderoso senhor do reino marinho o conduzisse a ilha de Circe, a feiticeira eternamente jovem. Quem sabe a maga, com seus encantamentos, devolvesse a vida à Penélope.
         Éolo, pai dos ventos, soprou pessoalmente as fúnebres e negras velas. Sereias, Tritãos e Nereidas seguiam em cortejo o barco do destemido herói. Do Olimpo os deuses imortais espiavam a derradeira aventura de Odisseus.
         Avisada por Hermes, o mensageiro celestial, Circe aguardava na praia a chegada da embarcação do antigo amante. Eternamente jovem, a maga contrastava com a senilidade do grego. Odisseus era agora considerado um estranho e sua presença na ilha não era bem vinda, fora uma interdição divina e devia ser obedecida. Não havia mágoa, ela lhe ofertara a juventude e a imortalidade junto a si, ele preferiu voltar aos braços da esposa mortal, os deuses aprovaram a escolha.
         Odisseus suplicou a Circe que devolvesse a Penélope o sopro da vida. Era provável que nesse exato momento, sua amada, rondasse as portas da região dos mortos. Sem os ritos fúnebres Caronte não a transportaria em seu barco. Ainda era tempo de trazê-la ao mundo dos vivos.
         Circe explicou a Odisseus que não possuía conhecimento suficiente para vencer a Morte, um dia ela também viria a seu encontro. O herói em desespero rogou aos eternos que o ajudassem. Fora amado por muitos deuses e merecia auxílio nessa hora de dor.
         Apolo que brilhava no alto parou o carro do Sol. Posseidom serenou o mar, o Olimpo inteiro intercedia por Odisseus. Zeus concordou e Palas Atenas se materializou frente ao herói e disse;-“Velho amigo! Venho da parte do pai de todos, a lei é eterna e imutável, mas em reconhecimento a seus feitos heroico do passado, Zeus meu pai decidiu que sua esposa permanecerá no Hades e você Odisseus poderá compartilhar da juventude e imortalidade junto a Circe. A segunda opção é acompanhar Penélope ao mundo subterrâneo.”
         Odisseus, velho, cansado, quase senil, com os olhos marejados respondeu a deusa; -“ Palas Atenas, deusa da sabedoria, por vinte anos sofri com a separação da amada esposa de minha juventude. Afrontei aos deuses para reconquistá-la, não será a mísera Morte que há de nos separar. Cumpra a ordem do pai dos deuses e dos homens! Sigo junto a Penélope para os domínios de Hades.”
         Suas sombras de mãos dadas já encontraram Heitor, o mais nobre dos heróis troianos. Aquiles, o maior guerreiro de todos os tempos os abraçou e muitos outros, entre eles Ajax, Nestor, Pátroclo, Polux, Agamenon os reverenciam. O casal está em paz e juntos permanecerão para sempre. Odisseus sonha com seus feitos heroicos e Penélope tece para a eternidade a sua história imortal.

Gastão Ferreira/2012      

quarta-feira, 4 de julho de 2012

Nunca se sabe...


DITINHO BOY



         No ano do Senhor de 2012, o problema da mendicância na cidade era terrível, os jornais informativos nem tocavam no assunto. Cidade Tombada, Patrimônio Nacional, Defensora do Verde e berço da civilização brasileira. Milhares de turistas passeavam por suas velhas calçadas, se extasiavam com os antigos casarões. Com ruas limpas e arborizadas, era o encanto dos visitantes. Tudo isso dizia a propaganda oficial.
         A centenária cidade tivera muitos apelidos, alguns carinhosos e outros nem tanto. Princesinha do Litoral, Pindaíba, Tombadinha, Fogueteira, Mata Árvores, Dengosinha, Urubu-city e o último “A cidade das lombadas”. A cidade das belas lixeiras tinha as ruas mais sujas da região.
         Os turistas normalmente eram recepcionados por bandos de pedintes. Entre os mendicantes havia desde travestis a garotas de programa, a maioria jovem e quase todos alcoólatras. Os mandantes da cidade pareciam nem notar a existência destes seres marginalizados que impediam o desfrute das belezas naturais que enfeitavam a cidade. Nos pontos turísticos havia sempre um nóia, um drogado, um mendicante a não dar sossego ao passeante.
         A desculpa das autoridades era que os pedintes tinham o direito de ir e vir... Não explicavam se detinham ou não o direito de fazer sexo nos logradouros públicos, defecar nas calçadas, urinar nas portas das casas, achacar velhinhas e crianças para conseguir uns trocados, xingar as pessoas e afugentarem aos que faziam caminhadas pela magnífica orla marinha.
         Era um ano eleitoral... Nenhum candidato ousara tocar no assunto “pedinte”. Foi Ditinho Boy o primeiro a tratar da matéria ao sugerir a entrega total do Centro Histórico, Orla do Mangue e Santa Casa em usufruto aos mendicantes... Foi eleito em razão da brilhante ideia.
         Hoje, Agosto de 2018, a antiga cidade está irreconhecível. Montes de lixo entulham as ruas, matilhas de cães patrulham em busca de alimento, a orla do lagamar totalmente assoreada, a Fonte voltou ao estado selvagem, os casarões tombados finalmente tombaram de vez. Em torno da admirável Cruz de Pedra os herdeiros da Princesa fazem fogueiras e contam histórias. A famosa Passarela sem luz ruiu de vez, a Barragem foi detonada e a velha cidade virou uma ilha. Não existem mais pedintes nem mendigos, os moradores de rua não tem a quem solicitar favores e o problema foi solucionado. Os politiqueiros continuam fazendo a festa, soltando rojões e afirmando que nada mudou.
         Ditinho Boy foi reeleito prefeito da nova cidade chamada Rocio. Uma cidade voltada para a indústria pesqueira, com centenas de microempresas volvidas para o ramo de confecção, uma cidade sem foguetes, mas com muita disposição para crescer.
         O lema da nova cidade é; - “Quem não trabalha não come.” Este refrão causou polêmica, mas os Pastores e Padres explicaram direitinho aos menos atentos. Quando Deus expulsou Adão e Eva do paraíso instituiu uma lei ao determinar que o casal e seus descendentes comeriam o pão com o suor de seus rostos e ponto final... Não quer trabalhar? Não come!
         Foi assim que morreu a velha Princesa... O homem passeia pelo espaço sideral, visita o fundo do mar, descortina novos horizontes, constrói magníficas estradas, navega pelo céu, vence as mais terríveis epidemias, mas não conseguiu dar um jeito em quarenta seres que lentamente trouxeram a decadência a uma cidade.
         No começo eram poucos e ninguém ligou, depois vieram os drogados abandonados pelas famílias, os alcoólatras e pequenos ladrões. Os habitantes da cidade com medo não saíam à noite, as crianças pararam de brincar nas ruas, os turistas não voltaram mais, os comerciantes reclamavam e não eram atendidos, acabaram fechando seus negócios no centro histórico e se mudaram para as vilas... O tempo de Ditinho Boy está próximo.

Gastão Ferreira/2012

(Nota; - Qualquer semelhança é mera especulação... Este texto é ficção e fora de nossa realidade.)    
             
        
           

terça-feira, 3 de julho de 2012

Somos todos passageiros...


O PSICÓLOGO


         Jean Píer tinha seus pequenos problemas e sofria feito um condenado. Perto de completar 15 primaveras e 34 verões, estava chegando aos cinquenta outonos... Uma criança, perto da idade de Matusalém, dizia.
         O “pequeno problema” de Píer é que nunca conseguiu definir sua opção sexual. Passava seis meses como Jean e oito meses como Juanita, a excêntrica. Píer curtia esportes radicais e Juanita adorava bordado, um bebia cachaça a outra cidra e champanha, um gostava de sambar a outra dançava balé. Esse estilo de vida estava acabando com o moço e ele finalmente resolveu procurar um psicólogo.
         Adentrou a casa de vovó Nachel e foi logo exigindo; - “Quero um Paletó Vermelho”, todos sabiam que tal pinga era para macho, “encontrei um psicólogo que resolveu meu probleminha”, sussurrou como a querer trocar segredos com a vovó. “Que bom!” disse a velhinha, “o que ele falou?”
         - “Falou que tudo na vida é passageiro...”
         - “Muito interessante! O doutor é um gênio.”
         - “Também falou que a vida é minha e que ninguém paga a minha conta de água e luz...”
         - “Caramba! O cara é bom de mais... Deu resultado a consulta?”
         - “Sim, as mulheres me seguem na rua, admiram meu porte atlético, meu sorriso viril, pedem que eu lhes pague rodadas de cerveja e tira-gostos...”
         - “E?...”
         - “Ainda não encontrei o motel ideal para iniciar minha carreira de garanhão...”
         - “Ohhh!... Você não pode perder tempo, meu filho.” Disse vovó Nachel.
         - “Eu sei vovó, afinal, como disse o psicólogo; - Tudo na vida é passageiro...”
         - “E como fica o motorista e o cobrador?” Perguntou vovó.
         - “É mesmo! E tem também o fiscal...”
         - “É verdade! Será que o doutor era um charlatão?”
         - “Que nada garoto! Não esquenta... Nada como um dia atrás do outro...”
         - “Não fale assim que eu posso ter uma recaída!”
         - “Mas por que uma recaída?”
         - “Essa coisa de um atrás do outro é fatal...”
         - “Píer! Beba outra cachaça...”
         - “Não vovó Nachel! Ainda tem daquela cidra super gostosa de que tanto gosto?”
         - “Ah Juanita! Bem vinda ao mundo real, menina...”
        

Moral da história:- Não misture! Tem gente que gosta de pinga, tem gente que gosta de vinho, tem quem goste de champanha... O importante é ser feliz! Não esquente com o motorista e o cobrador... Siga a viagem e aproveite cada segundo de sua vida, assim como você ela é única e intransferível... Bom Voyage.

Gastão Ferreira/2012