sexta-feira, 15 de junho de 2012

Fábula esperta...


O PORQUINHO BACURI (Fábula)


         No tempo em que os bichos falavam e o mundo era inocente, numa pocilga não muito distante, nasceu um porquinho esperto, seu nome; - Bacuri.
         Dona Leitoa sempre foi uma mãe preocupada com a saúde familiar, por mais que se esforçasse Bacuri não engordava. Uma vergonha! Como pode um porco não engordar?
         Porco que não engorda não vira linguiça! ... Por mais que o alimentassem, Bacuri era magro feito vara de marmelo. Dona Leitoa, inconformada com a magreza do filhote, procurou uma benzedeira para retirar o quebranto.
         Não era mau-olhado, pois o pimpolho permanecia um esqueleto ambulante. Seus irmãos há muito tinham se transformado em salame, salsicha, presunto. Bacuri conseguiu sobreviver a sua sina e não virou torresmo.  
         Bacuri nunca gostou de estudar, estava mais interessado em ficar rico, possuir um chiqueiro maravilhoso, comer do bom e do melhor, namorar as porquetes mais gostosas. Conseguir um meio de vida diferenciado sem a necessidade de trabalhar. Associou-se a uma porca de nome Corrupeth e fundaram uma ONG (Olá Nossa Grana). Partiu assim para a mais deslavada politicagem.
         O melhor amigo do ouro se chama poder. Coisa complicada! Ninguém possui ouro sem poder e ninguém tem poder sem o ouro para sustentá-lo. Bacuri por meio de sua ONG conseguiu o ouro, comprou corações e mentes, fez conchavos, elegeu-se representante da porcada e de outros animais que partilhavam de seu sucesso.
         Bastaram dois anos desfrutando do poder para Bacuri engordar. Uma coisa notável! O poder engorda. Os candidatos a cargos eletivos quando vencedores da disputa, em pouco tempo ficam imensos, caras redondas, barrigão. Com Bacuri não foi diferente, bastou chegar ao pódio e a boa ceva o transformou em um senhor porcão.
         O sonho de Dona Leitoa estava realizado, finalmente seu filhote engordara. Seus duzentos quilos renderam uma boa grana ao dono da pocilga. Salames, salaminhos, toicinho defumado, linguiças, bistecas, costelinhas de primeira e a certeza de que ninguém foge ao próprio destino.
         Dona Leitoa está desolada, mais um filho foi abatido. Hoje ela sabe que a vida é algo para ser compartilhada. Que chegamos ao mundo de mãos vazias e que de mãos vazias todos partiremos. Que a honestidade é a garantia do sucesso, que caráter não se compra e que não somos donos da vontade alheia. Que viver com dignidade é o caminho mais seguro para a felicidade plena.

Moral da fábula; - Nenhuma... Bacuri poderia continuar magro, sem estudo e ser bailarino, pastor, motorista, torneiro mecânico, líder sindical e presidente da república. Poderia estudar e ser médico bancário, professor. Preferiu viver a custa do suor alheio, criou uma ONG para ter dinheiro fácil, quis ser político e sustentar seus luxos com os impostos dos cidadãos, pois é engordou e virou presunto.  


Gastão Ferreira/2012
          
          




         

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