quinta-feira, 21 de junho de 2012

Apenas um sapo...


EUSÉBIO...



         Venho de uma longa linhagem de nobres, meu sangue é azul, sou um príncipe. Meu pai foi rei e senhor destas terras. Seu palácio de mil jardins falava de seu poder. Numa bela tarde primaveril uma garota pediu pouso no castelo e minha mãe mandou abrir os portões, foi à perdição do reino.
         Alissia era linda, conquistou a todos com sua simplicidade, meu primo Ary Oswald apaixonou-se perdidamente. Minha tia a princesa Magnólia foi contra seu casamento, meu tio Ariowal e o restante da família real deram a maior força. Na verdade todos queriam se livrar de Oswald o mais rápido possível. Nunca existiu um príncipe tão corrupto, desonesto, pedante, chato, orgulhoso, do que meu primo Ary Oswald.
         Minha mãe, a rainha Mary, interessou-se pelas bodas e conversou gentilmente com Alissia explicando a situação. A menina sem eiras nem beiras, com o casório conquistaria um lugar na mesa palaciana, teria uma carruagem a sua disposição, criadas e fâmulos a seu serviço, sem contar uma pequena parte do tesouro real para compra de mimos e luxos.
         Alissia não se mostrou feliz com a ideia do casório. Não pensava em casar, gostava secretamente de alguém e jamais fora correspondida. Ary Oswald não se conformou, trancou a garota num calabouço, negou comida, humilhou e maltratou a donzela. Queria saber o nome do amor secreto... Era tão escroto que ao visitá-la encostava-se à parede e pedia um beijo de boa noite. O tempo foi passando...
         Naquela época todo o reino tinha Fadas protetoras. As Fadas dividiam-se em boas e más. Conhecia-se um reino por suas Fadas. Normalmente um reino feliz tinha uma boa Fada madrinha, nosso reino sempre faturando obras, cobrando propinas, taxando os cidadãos, explorando os menos favorecidos e soltando toneladas de foguetes em festinhas banais, tinha uma má Fada como madrinha.
         Marybeth era nossa Fada, ganhava um percentual nas inúmeras maracutaias da nobreza e a plebe vil não tinha a quem recorrer. As Fadas também tinham seus superiores e assim o “caso Alissia” foi levado ao conhecimento da rainha das Fadas. Um escândalo! Uma devassa geral no reino.
         Cidônnya, a rainha das fadas, após uma longa conversa com a prisioneira e com um brilho de mil estrelas no olhar, decretou; - A donzela Alissia será levada ao palácio das fadas para ser minha acompanhante e com o tempo será uma mãe de santo. A fim de evitar retaliações o nome Alissia será trocado por Achel, Bechel, Nachel ou qualquer outro que a garota desejar, menos nomes de santas, pois não ornam como nome de uma feiticeira. A plebe vil será transformada em árvores, pois aceitavam os abusos dos nobres em troca de pequenos favores. Os da realeza viverão na lagoa como anfíbios até que num dia muito, muito distante o feitiço seja quebrado.
         Meu mundo desapareceu. Onde existia o castelo agora é uma colina, dizem que o palácio está invisível e no mesmo lugar. Sou o último da linhagem ancestral. Nossa fada madrinha Marybeth se escafedeu. Primo Ary Oswald foi devorado por uma cobra. Descobri que somente um ósculo de uma donzela sem malícia quebrará o terrível encantamento. Meu nome é Eusébio; - Me beija! Me beija!  

Gastão Ferreira/2012
         

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