segunda-feira, 4 de junho de 2012

Alo... Atenção...


TEMPESTADES, RAIOS E TROVÕES.


         As tempestades são portais entre dimensões, quando ocorrem, algo sempre muda na cidade. É uma estátua que desaparece de seu pedestal e ninguém viu, uma pessoa que sumiu e ninguém sabe onde está. Basta ouvir alguns diálogos para entender. Quem nunca participou de uma conversa assim após uma terrível tempestade; - Eu brinquei no coreto da Praça da Matriz quando criança...
         - Tá loco! Tá inventando! Na praça sempre teve uma cruz de pedra...
         - Antes havia um coreto e...
         - Não, não! Sempre foi uma cruz, aprendemos na escola, uma cruz de pedra símbolo de nossa submissão ao que de melhor existe, a honra, o caráter, o amor, a honestidade, a humildade...
         - Cruz credo!
         - Sim, a cruz é nossa paciência materializada, sempre esteve presente na praça e ninguém via, mas no inicio do século XXI um sábio de coração puro e alma mais limpa do que mão de políticos, nos legou o divino presente na intenção de imortalizar seu humilde nome...
         - Não sabia desta lenda!
         - Foi no inicio do século XXI e o tempo levou para o esquecimento muitos nomes da era perdida, como ficou conhecido aquele período histórico, por isso não sabemos quem foi na realidade o sábio, o gênio, o semideus que revelou a cruz aos homens de bom coração.
         Outras vezes são pessoas que desaparecem e parece que nunca existiram. Pode perguntar a vontade que ninguém sabe; - E o Teobaldo que fim levou? E o Toninho do churrasquinho onde anda? Não existia um vendedor de amendoim que dava amostra grátis do produto em toda a cidade? Hein! Hein?
         Desapareceram, foram para outra dimensão, uma cidade irmã da nossa. Tais cidades perfazem uma era histórica e cada qual está num estágio evolutivo diferenciado. Numa delas vive o Téo, rico comerciante do ramo da alimentação e em outra o Baldo, um pedinte.
         Em algum lugar no universo existe uma cidade com um porto maravilhoso, o maior do país, Registro é o nome de um de seus bairros periféricos. Nela não existiu Valo Grande, o lagamar ficou intacto, o progresso chegou e ficou para sempre. Cidade berço de toda a civilização pós-descobrimento, seus museus, estátuas, igrejas, casarões e palacetes falam da pujança sempre presente e que enche de orgulho seus cidadãos.
         Devemos ter muito cuidado durante as tempestades, nada de sair de casa. Se estiver num bar, afaste-se da porta. Na beira mar, corra para uma barraca. Na mata, encontre uma caverna...
Quem não se cuida se ferra!... Vai saber por quantas cidades interdimensionais você já andou! Posso jurar que havia um poste no meio do passeio público, depois de uma tempestade ele desapareceu... Até o momento estou em dúvida, foi o poste que mudou de cidade ou eu que fui teleportado para outra cidade gêmea!

Gastão Ferreira/2012
        

  
         

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