segunda-feira, 23 de abril de 2012

Nossas origens Guarani...


A PRESENÇA INDÍGENA EM IGUAPE

HISTÓRIAS DO ARCO DA VELHA - III

Os indígenas brasileiros viviam em sociedades descentralizadas de caçadores e agricultores seminômades. Sua alimentação era baseada na caça e na coleta, bem como no plantio de diversas variedades de vegetais, como mandioca, batata, amendoim, feijão e milho. A partir do inicio da era cristã agrupamentos de autóctones se deslocaram do interior do continente para o litoral, de onde exterminaram ou misturaram-se aos formadores de sambaquis que habitavam a região há aproximadamente 8.000 anos.

Os aborígenes se autodenominavam Avá ou Avaeté Kuerí que significavam respectivamente Homens e Homens Verdadeiros. Cada tribo adotava o nome de um herói Patronímico e somente a partir do século XVI apareceu o termo Guarani, cujo significado é Guerreiro. Esta etnia vivia na Bolívia, Paraguai, Argentina, Uruguai e na porção centro-meridional do território brasileiro. Habitava da costa da cidade de São Vicente, no Estado de São Paulo até a margem direita do rio Paraguai. Conhecidos como Carijós no Brasil e Cariós no Paraguai colonial.

Na vida social os indígenas eram amistosos, criavam com muito carinho sua prole, visitavam constantemente a parentada, caçavam e pescavam em conjunto, faziam seus roçados, eram festeiros e alegres. Ciosos de seu território viviam em constante guerra com outras etnias, praticavam o canibalismo ritual, ou seja, comiam os prisioneiros para adquirirem sua coragem e ousadia. Os xamãs-profetas chamados de Karaí eram seus sacerdotes.

Quando do descobrimento do Brasil, a população total de Portugal era de 500.000 almas e os povos guaranis perfaziam 2.750.000 indígenas. No inicio os índios colaboravam alegremente com os portugueses em troca de pequenos presentes, com o tempo os lusitanos exigiram que os nativos trabalhassem de graça, começaram as desavenças e acabaram por escravizar os selvagens.

A escravidão sempre esteve presente entre os povos indígenas. Após as muitas batalhas, o vencedor conduzia para a sua aldeia alguns prisioneiros para prestação de serviço escravo. O cativo não era maltratado, podia constituir família na nova moradia, mas em um dia futuro seria devorado num banquete ritual em que todos os membros da tribo participavam, este era o costume ancestral.

Em 1530 D. João III, rei de Portugal, dividiu as terras do Brasil em grandes territórios sem se preocupar com os índios que nelas moravam há muitos séculos. Os autóctones não aceitaram esta invasão, começou a guerra entre os selvagens e os europeus. O movimento Luso-paulista das Bandeiras, de caráter expansionista e escravocrata caiu como um flagelo sobre as populações Guaranis e ocorreu à dispersão das muitas tribos, quem consegui escapar embrenhou-se nos sertões ou desapareceram no interior das florestas.

Era grande o número de índios na região de Iguape. Após 1494 com o Tratado de Tordesilhas, firmado entre Portugal e Espanha nossa cidade se tornou parte do domínio português. Quando Iguape se separou de Cananéia em 1538, viviam por estas bandas uma enormidade de indígenas, basta notarem que a estátua do Senhor Bom Jesus de Iguape foi encontrada por dois índios em 1647 na Juréia. Que durante toda a construção da Basílica de 1780 a 1856, existem relatos de índios trazendo ouro em pó para ajudar financeiramente na obra.

No ano de 1502 teve inicio a fixação do homem branco em Iguape, as Bandeiras aprisionaram indígenas de 1562 a 1694. Nossa cidade, fundada em 1538, participou de toda esta história. Daqui partiram centenas de expedições de captura, nossas montanhas, rios e vales possuem nomes indígenas. Somos parte da história e comparticipes do desaparecimento de uma civilização. Eram selvagens na concepção europeia da época. Hoje, sabe-se que tinham suas leis, seus códigos de conduta, sua ética e sua religião. Priorizavam o SER e não o TER cultuavam seus heróis e honravam seus antepassados. É dessa gente que descendemos, em nosso imenso município os Carijós (Cayuás/Caynás) tiveram suas aldeias. Nossas raízes são profundas e se perdem na noite do tempo. Do degredado europeu, aos Guaranis, aos formadores de Sambaquis, ao antepassado mais remoto que pisou nosso solo, nos separam 45.000 anos... Um sopro na história da Terra, uma eternidade para o Homem.

Gastão Ferreira/2012/Iguape

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