terça-feira, 29 de novembro de 2011

FATO REAL...



FOLIA DE REIS...

Era o segundo dia da Folia de Reis quando Marta e seu Onofre passaram em minha casa para juntos acompanhar a festança. Mais de vinte anos decorreram desde então e eu jamais esqueci o que nós três presenciamos naquela noite.

Morávamos no Jairê, um bairro rural do município de Iguape, litoral sul do Estado de São Paulo, situado as margens do Rio Ribeira de Iguape. As habitações esparsas, pois as cercanias eram constituídas de muitos sítios com cultura de subsistência.

Saímos de casa exatamente às nove horas da noite, fomos margeando o rio, podíamos avistar a uns trezentos metros o local onde se agrupavam os primeiros participantes da Folia, que percorreria um longo caminho, indo de casa em casa arrebanhando o pessoal para as danças na casa de dona Olga, no final do bairro. Andávamos distraídos quando Marta, apavorada gritou; -“Meu Deus! Não olhem para o rio.”

Estávamos a uns cinqüenta metros da beirada do rio e notamos que da água emergia um grande objeto redondo, fosco, com centenas de pontos luminosos girando a uma velocidade alucinante. Seu Onofre foi categórico; - “Não comentem com ninguém! Pensarão que estamos loucos.”

O artefato ergueu-se acima da correnteza, dando a impressão de que nos seguia, não conseguíamos desviar os olhos das luzes que giravam. Pouco tempo depois, ao passar por um bambuzal não notamos mais a presença do estranho objeto, ficamos apavorados, estávamos a dois quilômetros do local de partida, frente à última casa a ser visitada pelos participantes da Folia de Reis e onde aconteceria a folgança.

Dona Olga, a dona da moradia, nos recepcionou desconfiada e perguntou; - “O que querem vocês há esta hora tão tardia?”, “Viemos para o baile”, informamos. ”O baile acabou às quatro da manhã e agora são cinco e meia, hora de já estarem dormindo há muito!”

Tenho a absoluta certeza que saí às vinte e uma horas de casa, que o local onde estavam os festeiros ficava a trezentos metros de minha morada, que caminhei não mais do que quinze minutos, que não parei em nenhum momento... Como explicar que andei oito horas e percorri dois quilômetros sem me dar conta? Como justificar que passei por várias casas e simplesmente nada vi? O que será que aconteceu naquela noite? Onde estive durante as oito horas que foram apagadas da minha mente?

Por muitos anos mantive em segredo o acontecimento. Seu Onofre já é falecido e Marta mora em Pariquera, raramente vem a Iguape. Após o encontro com o estranho objeto sofri de terríveis dores na cabeça e que passaram com o decorrer do tempo.

Contei minha história ao cronista amigo. Marta está bem viva e pode confirmar o ocorrido. Muitas coisas estranhas acontecem nos arredores da cidade de Iguape e que por medo do ridículo não são partilhadas. Eu perdi o receio! Espero um dia descobrir o que realmente aconteceu comigo no decorrer das oito horas em que permaneci afastada da realidade.

Maria Inês/Iguape/2011

Gastão Ferreira/2011

Observação – Fato ocorrido em 1990 no bairro Jairê em Iguape/SP, os nomes são fictícios, mas a história é real.


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