quinta-feira, 21 de abril de 2011

O BOM LADRÃO...Bom ladrão?


O BOM LADRÃO

A Semana Santa passou. A Via Sacra ao vivo e a cores reuniu milhares de pessoas no entorno da Praça da Basílica. Nenhum ator morreu de Dengue e a vida continua linda e faceira na Princesinha do Litoral Sul. O que chamou a minha atenção foi o Dimas, o personagem crucificado ao lado direito do ator principal. Dimas era um ladrão!

A imaginação voou no tempo e fiquei a matutar; - Que será que o tal do Dimas roubava? Roubava os turistas que visitavam a Cidade Santa de Jerusalém?Roubava a bolsa dos comerciantes? Aos que traziam mercadorias através das caravanas?Assaltava as garotas da melhor idade da época? Se bem que naqueles tempos os bois tinham nomes, velha era velha, jovem era jovem e criança era criança. Nada de rodeios para esconder a realidade que está na cara, até mesmo nas caras plastificadas.

Pelo jeito, essa coisa de roubar é tão antiga quanto o mundo. Duvido que aquele antropóide do qual descenda o homem ancestral, não passava a mão em bananas que não eram suas. E o Caim? O sujeito era um mau caráter, alem do ciúme doentio pelo irmão, talvez afanasse Abel nas horas em que não estava planejando assassiná-lo.

Desde o colo materno aprendemos que roubar é feio. Que quem comete esse delito pode ser preso se não tiver um padrinho poderoso ou contar com um advogado porta-de-cadeia, experto e pilantra. Que quem rouba não vai para o céu, em fim; - Roubar é pecado e pecado mortal. Aprendemos desde criança que quem se apodera do que não é seu, está agindo errado. Que quem rouba o que foi conquistado com o suor alheio, não serve de bom exemplo para ninguém, a não ser para outro ladrão.

Minha fértil imaginação, ao vivo e a cores, constatou que o ator principal, um Santo em todos os sentidos, foi pregado na cruz ao lado de dois ladrões. Poderia ser ao lado de dois assassinos, dois políticos corruptos, pois essa sub-raça também é bem antiga, ou, junto a dois terroristas palestinos. Que coisa feia! Três cruzes e dois ladrões. Quem diria! Mais da metade dos crucificados eram ladrões. O Dimas, era um safado de um ladrão pego com as mãos na botija. Tão ladrão que isso foi comprovado pela justiça da época, a qual o sentenciou a morte.

A minha dúvida é por que Dimas é chamado de Bom Ladrão? Será que roubava dos ricos para dar aos pobres? Se roubar é pecado mortal, então não existe bom ladrão. Dimas era um comprovado ladrão, e, seguindo a lógica, Dimas não poderia ser bom.

Imagino o que os leitores estão pensando; -“ Seu burro! Dimas é chamado de Bom Ladrão porque se arrependeu e foi perdoado.”Poxa! Que bacana. Então o negócio é roubar tanto quanto seja possível, arrepender-se a beira da morte e tudo bem? Ninguém necessita devolver o furto, ressarcir o prejuízo causado, pedir perdão aos lesados... Que beleza! É por isso que o mundo está infestado de larápios, gente tirando proveito de tudo. Todos bons ladrões... Todos sonhando com o Paraíso e eu me policiando para continuar honesto! Viva o Dimas!

Gastão Ferreira/2011

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