terça-feira, 28 de dezembro de 2010

NESTE NATAL


NESTE NATAL

Neste Natal quero esquecer o Papai Noel das promoções, das ceias fartas e gordurosas, dos presentes embrulhados em afetos interessados. Não quero o Noel das lojas enfeitadas para atrair consumidores, do celofane brilhante das cestas de artigos desnecessários, das bebidas que afogam tristezas rotuladas de alegrias.

Neste Natal dispenso abraços ensaiados e sorrisos sob medida, sentimentos falsos e emoções que encobrem a aridez do coração. Não quero presentes dos ausentes, não quero essa troca de produtos entre mãos que não se abrem para a solidariedade e a compaixão. Não quero bocas pronunciando palavras decoradas, despidas de verdade e afeto.

Neste Natal não me interessa as promessas falsas dos políticos, os cartões impressos a granel, cheios de coloridos e vazios de originalidade. Não quero a companhia de pessoas amargas, das invejas que me afastam de mim mesmo, das ambições que me entristecem. Não deixarei o pouco que me resta de sensatez resvalar para o constrangimento, não aceitarei brindes de mãos que não se tocam, nem irei às ceias dos que se devoram entre ciúmes ridículos e ostentação.

Neste Natal quero estar junto ao aniversariante. Não viajarei para longe de mim mesmo nem rezarei pela bíblia dos que professam o medo, dos que humilham os semelhantes, dos que semeiam ódios e discórdias. Deixarei que as águas do mar lavem a minha alma e pedirei que o menino cresça em meu coração despregado da cruz. Que seus ensinamentos floresçam sobre a pedra bruta do meu ser e me transformem numa pessoa melhor.

Pedirei ao menino que abra a mente de nossos governantes para o bem coletivo, que as pessoas possam ter o suficiente para uma vida digna, que as crianças tenham amor ao estudo, que os adolescentes tenham um futuro promissor, que o lar volte a ser um ninho de afeto e aprendizado, formando cidadãos responsáveis e honestos. Que a vinda do menino seja uma benção e que todos possam beber dos seus ensinamentos.

Quero que neste Natal não falte comida na mesa do mais pobre, que o nobre não dissipe em uma noite o que mataria a fome de muitos, que o desonesto ao mimosear os filhos pense nos filhos de suas vítimas sem a possibilidade de presentes. Que a humanidade faça a lição de casa ensinada pelo menino:- “Ama ao teu próximo como a ti mesmo.”

Quem ama ao seu semelhante, ama a si mesmo e não mata, não corrompe, não destrói a Natureza sua fonte de alimentação, não polui a água que lhe dá o peixe, não joga lixo na rua que é um bem comum, não maltrata os animais nossos irmãos no existir. Quem ama vê em cada semelhante um irmão em diferentes estágios de evolução. Quem ama tem compaixão pela dor alheia e busca auxiliar a todos os seres nessa jornada planetária. Um dia despertarão no outro lado da vida, as máscaras ficarão aqui. Lá o menino é o rei e dará a cada um de nós a paga pelo que plantamos. Desejo a todos uma boa semeadura e uma ótima colheita.

Gastão Ferreira

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