quinta-feira, 7 de outubro de 2010

LEMBRANÇAS DE MEU PAI...


LEMBRANÇAS DE MEU PAI!

Um filho é o espelho do caráter de um homem. Quando a saudade chega e me abraça murmurando o seu nome, a sua lembrança invade todos os meus espaços, ouço o seu riso, vejo o brilho do amor em seu olhar antigo... Meu pai!

Um homem simples que fez do respeito a seus semelhantes à base de seu caráter. Um homem honesto na simplicidade de seus pequenos negócios. Um homem que apenas com um olhar era obedecido, um pai as antigas, um pai que impunha respeito sem maltratar, um pai que se sabia amado e muito amava... Meu pai.

Lembro do dia em que o circo chegou! A velha lona encobria todos os segredos tão bem guardados, um mundo mágico e desconhecido, um mundo para ser desvendado por um menino curioso, um menino de onze anos... Eu!... Vadico. Reuni os amigos, formamos um pelotão, temerosos passamos por debaixo da lona e silenciosamente invadimos a arquibancada, a primeira batalha estava ganha e a diversão grátis garantida.

Meu pai chegou a casa e perguntou por mim, minha mãe contou do meu intento com os demais colegas, meu pai sabia que eu não tinha o dinheiro para comprar o ingresso... Saiu em direção ao circo.

As gargalhadas, os aplausos, os assovios. O palhaço acabara de entrar no picadeiro, um toque de leve nas minhas costas, era um guarda e os guardas naquela época eram o temor da garotada:-“ Todos vocês! Venham comigo.”Na portaria estava meu pai:-“ Vadico! Pegue o seu ingresso e entre pela frente... Comprei entrada para todos.”

Esse era meu pai, o homem em quem me espelhei, o companheiro das horas boas e das horas difíceis. O homem que me ensinou o valor da honestidade, a importância de uma amizade, a humildade perante a grandeza da vida. Meu professor, meu anjo protetor, meu abrigo... Meu pai.

Hoje remo sozinho nessa canoa vida, quando a tristeza chega e crava suas negras garras em minha alma solitária, meus olhos entrevêem a imagem de meu pai e uma lágrima solitária teima em brotar arrastando a memória aos dias da minha infância. Não choro o abandono, pois tudo aqui tem fim, meu pranto é uma saudade de reencontros, de antever o futuro e nesse futuro poder abraçar meu velho pai e finalmente junto a seu coração dizer do quanto o amei.

(Memórias de Vadico sobre seu pai)

Texto: Gastão Ferreira

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