sexta-feira, 2 de julho de 2010

A LÁGRIMA DE DEUS


A LÁGRIMA DE DEUS

Na solidão do Nada o Verbo dormia e sonhava. Constelações, galáxias, universos, multiversos povoavam seu sonho. Sistemas planetários eram criados... Sóis de imensa grandeza, luas, asteróides, esferas orbitavam na imensidão.
O planetinha azul era o seu preferido, um mundo quase aquático. Muito se divertiu povoando-o... Sua imaginação não tinha limites, a perfeição era sua meta. Criou a matéria sólida, deu forma a todos os seres... Do átomo à suas ínfimas partículas, das algas marinhas aos grandes vertebrados, da humilde grama as majestosas árvores, do pequeno Beija-flor ao gigantesco Condor, da modesta fonte à imensidão do mar.
A paz, a harmonia, a beleza... Cada ser criado cumpria com um propósito evolutivo. O tempo passava na espera da criatura que seria chamada “O Rei da Criação”, um ser com pensamento contínuo, não fragmentado como os demais animais. Uma entidade mista, um invólucro contendo o sopro do Verbo Criador... O Homem e a sua Alma.
Essa criatura seria o jardineiro planetário, o zelador do patrimônio divino, a inteligência materializada, o único que teria uma idéia de toda a Criação. A bondade o acompanharia em sua missão. A humildade perante a grandeza do Criador, a gratidão pelo existir fariam dele um ser diferenciado, pois traria consigo a certeza da eternidade e sua parte imortal falaria mais alto.
O Verbo despertava e nesse fragmento de tempo entre o sonho e a realidade ele viu a sua obra concluída... Viu o sangue de inocentes ser ofertado em sua honra, os grandes exércitos devastando a Terra, as Cruzadas, a Inquisição, a Dor, a Revolta, o Assassinato... O forte dominando o fraco, o poderoso desprezando o humilde, a vaidade tomando o lugar da simplicidade, a luta entre a luz e as trevas, tudo isso em seu nome. Sua mente criadora dera uma forma física a seu sonho, o Verbo criou a eternidade, a impossibilidade de retorno ao nada original era nula. Nesse despertar o sonho seria a realidade... Não havia a mínima possibilidade de anular a criação, a matéria estava a se condensar, a realidade a existir... Nesse instante o Verbo chorou pela única criatura que o conheceria, a qual presenteou com uma parte de si mesmo e as lágrimas do Criador consolidaram o Universo. “Faça-se a Luz e a Luz foi feita”. O Homem foi criado;- É o único fruto das lágrimas de Deus.


Gastão Ferreira

Um comentário:

MARCOS disse...

Hô meu!! Isto é profundo!!