terça-feira, 9 de março de 2010

DOSSIÊ


DOSSIÊ ...


Desde criança Cornélio Bankoff foi diferenciado. Feio prá cacete se achava um galã. Magro de contar as costelas se sentia como o último biscoito do pacote, um biscoito especial adepto de algo chamado troca-troca. Trocava figurinhas por bolinhas de gude, bolinhas de gude por pião, pião por pipa, sempre tentando levar vantagem em tudo, enfim um esperto desde o berço com sua cara de otário e mente de pilantra.
Na hora certa se apaixonou e vieram os filhos. Gostava de amarrar a esposa grávida em móveis e enche-la de pancada, um casca grossa se passando por gente educada fingindo-se de puritano e defensor da moral e dos bons costumes.
O senhor Bankoff não era batalhador. Sua esposa que se matava de trabalhar para sustentar o marmanjo, o obrigou a estudar e a passar num concurso. Foi a salvação da lavoura, utilizando do cargo em proveito de terceiros foi escalando posições e armando contra colegas obteve promoções não merecidas.Filiou-se a um partido político, obviamente o que estava no poder, fornecia dados confidenciais dos desafetos e de todos aqueles que se utilizaram de seus serviços no local onde exercia seu oficio aos mandantes de plantão.
Quando o trambique foi descoberto Cornélio esteve para perder o emprego, os amigos políticos arrumaram uma transferência imediata para outra cidade. O hábito estava enraizado, prosseguiu fazendo das suas e de cidade em cidade acabou retornando a seu local de origem.
A esposa separou-se de Cornélio, que inconformado por não ter mais em quem bater tratou de denegri-la das piores formas possíveis, usou o poder do dinheiro para tornar em inferno a vida da ex. Um pistoleiro foi pago para simular um assalto e matar a ex-companheira e o senhor Bankoff até hoje é chantageado pelo pistoleiro de aluguel.
As pessoas prejudicadas por Cornélio, sabedoras de seus costumes jamais lhe deram confiança e ele nunca obteve sucesso nas tentativas das quais participou para ser algo mais do que capacho dos poderosos.
O senhor Cornélio Bankoff envelhece sem nada aprender. Continua aparentando o manso cordeiro, mas quem o conhece sabe do lobo sedento de vingança, dos baixos instintos, da imoralidade escondida na falsa bondade, da máscara, das falcatruas por trás da honestidade inexistente.
Com certeza a carapuça vai servir, foi feita sob medida e tem endereço de entrega a quem gosta de fazer dossiês por pura vingança, inveja ou incapacidade mental... A máscara vai cair? Qual a reação das pessoas envolvidas nos Dossiês?Qual será o fim de Cornélio Bankoff?... Esse texto é ficção, base para um futuro livro onde a vida e artes do senhor Cornélio serão contadas nos mínimos e sórdidos detalhes. Tem esse título “Dossiê” por ser através da coleta de dados que o senhor Bankoff arma suas mal sucedidas arapucas.

Gastão Ferreira

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