domingo, 28 de março de 2010

BAD BOY


BAD BOY

O Anjo da Guarda abdicou do cargo, abandonou o serviço, pendurou o terço:-“ Dessa vez esse menino eu não guardo, não guardo, não guardo!”O Diabinho da Guarda sorriu:-“Oba!Minha chance. Serei promovido, não posso falhar esse guri é meu tição da salvação, com ele subirei de posto.”
A mãe ficou prematuramente de cabelos brancos, chorava pelos cantos & recantos:- “Onde eu errei? Onde eu errei? Onde eu errei?” O pai tentou corrigir seu pimpolho com alguns tapas bem dados, mas parou no Conselho Tutelar e ameaçado de prisão caso continuasse a espancar a frágil e indefesa criaturinha.
Professoras desistiram do magistério. Uma enlouqueceu, outra tentou o suicídio e outra se jogou pela janela ficando tetraplégica. O bom nome da escola foi preservado e o garoto semi-analfabeto diplomado.
Um parente político e trambiqueiro o colocou num cargo muito bem remunerado e o mocinho mostrou serviço. Detonou com os colegas e concorrentes e subiu, subiu rumo ao sucesso:- “Eu pago o preço do sucesso! Mesmo que o preço seja a eterna maldição.”
O preço? Ora o preço!... Perseguições, canalhices, falta de ética, falta de escrúpulos, falta de caráter, falta, falta, falta! Acumulou fortuna através de falcatruas, superfaturamentos, roubos e chantagens. Conquistou seu espaço, ficou famoso. O pai orgulhoso, a mãe de cabelos tingida e emocionada, a diretora da escola toda prosa, o parente trambiqueiro, todos unanimes em afirmar:- “É um amor de pessoa!”
O Diabinho da Guarda perdeu o posto para um demônio mais qualificado:- “Que guri safado! Me ferrou.”O Anjo da Guarda? Ah! O Anjo da Guarda: ”- Ainda bem que não me envolvi! Fui criticado e quase rebaixado, mas com o Bad Boy eu teria falhado e o preço para quem falha é a escuridão. Pobre Bad Boy, um dia será gente, hoje é apenas um lixo, o homem é eterno e seu aprendizado é longo e todos os desacertos serão zerados. É da Lei que falo! Da Lei de Causa e Efeito, o que se faz se paga e essa Lei é fatal. Uma Lei em que a dor ensina quando falta professor... Vou aguardar, esse é meu trabalho, a vida é eterna e tudo isso é apenas o inicio... Quem viver verá! A conta não tarda a chegar.”

Gastão Ferreira

PARA NOYA COM AMOR...


PARA NOYA COM AMOR

Querida amiga Noya, você que é uma pesquisadora e estudiosa do comportamento humano poderia me esclarecer algumas dúvidas?É possível que um evento seja visto de maneira diferenciada por grupos distintos?Estou escrevendo de uma pequena cidade conhecida pelos nativos como “Novíssima Jerusalém”. É assim chamada pela mídia local para diferenciá-la da Nova Jerusalém, aquela cidade que encena um grandioso espetáculo sobre a Paixão de Cristo. Li num panfleto local que milhares de pessoas estariam presentes a um evento e fiquei deveras impressionado... Que maravilha!Que beleza!Que raridade!
Noya, contei aproximadamente trezentas pessoas no entorno de uma praça, não percebi a presença de turistas nem de caravanas de outras cidades, mas os realizadores do espetáculo agradeciam o comparecimento das tais milhares de pessoas. É correto chamar trezentas pessoas de milhares?
Em “Novíssima Jerusalém” ocorre um fato inusitado. Percorrendo as ruas nota-se acumulo de entulhos pelas calçadas, mas as autoridades afirmam que um dos cognomes da cidade é “Cidade Limpa” e negam a presença de detritos em logradouros públicos apesar dos habitantes reclamarem constantemente do descaso com a faxina municipal.
Chegando ao centro da cidade o visitante se depara com muitos pedintes enfeando um lugar tão aprazível, são moradores de rua com seu direito de ir e vir que não pode ser cerceado. Dizem que a autoridade acrescentou o direito de ficar e perturbar.
O comércio está em crise e são muitas as reclamações dos micro-empresários. Centenas de jovens abandonam a cidade em busca de emprego em locais distantes e os que permanecem na cidade vivem de pequenos biscates ou serviços temporários.
Noya! Tudo isso que relato é devido ao fato dessa dissonância que não consigo entender. Um verdadeiro paradoxo! O povo vivencia uma coisa e as autoridades outra. As pessoas enxergam uma coisa e os mandantes outra. Onde um vê sujeira o outro vê mãos limpas. Onde há descaso o outro chama de todo amor. Será uma doença?Uma epidemia que atinge os habitantes? Realmente não sei e gostaria de contar com seu conselho.
A cidade de “Novíssima Jerusalém” não possui maternidade nem velório público, mas muitos comissionados em cargos de confiança viajam pelo país, mandam e desmandam mais do que as autoridades eleitas pelo povo, desfrutam de ótimos hotéis pagos com o sofrido dinheiro de contribuintes que nada podem reclamar e a frase mais ouvida é:- “Quem não beija a mão é inimigo.”
Noya!Gostaria de contar com sua presença para juntos desvendar esse mistério antes que me expulsem como elemento indesejado. Um abraço de seu amigo Zeca.

Obs. – Caso venhas a “Novíssima Jerusalém” traga algumas carapuças, pois algumas pessoas aqui na cidade adoram vesti-las.

Gastão Ferreira

sábado, 27 de março de 2010

GRACINHA


GRACINHA

O filho do Leão já tem jubinha
A filha da Girafa um pescoção
Dona Onça tem a sua Oncinha
O Potrinho será um Garanhão?

Caipora caminha pela mata
Saci pula pula num pé só...
Iara no rio sorri e canta
Curupira na floresta vê cipó

Macaco olha o rabo do vizinho
Tatu faz mil buracos pelo chão
À tarde Sabiá procura um ninho
Vem a noite trazendo escuridão

A vida é uma grande confusão...
Na mata tem cobras e mutuca
Na cidade tem muito espertalhão
Gente que se ofende e me cutuca.

Gastão Ferreira

terça-feira, 23 de março de 2010

REMADOR


REMADOR

Um rio que sereno passa
Como querendo ficar...
Rio Ribeira que abraça
O Vale no seu sonhar...

Ao entrar por Icapára
Quando o rio avista o mar
No peito a saudade para
E o rio se põe a cantar...

Em cada curva do rio
Tem casa de pescador
Tem passarinho no cio
Tem beleza e tem amor

Amigo que me ampara
Meu coração cantador...
Sou menino caiçara...
Rema rema... Remador!

Gastão Ferreira

segunda-feira, 22 de março de 2010

É O SINO


É O SINO

É o sino quem vai contar
Para todos que morri...
Vai ter gente a chorar
Ou sorrir porque parti...

Eu joguei pedra na cruz
Fui contra a corrupção
Vão soltar tiro de obús
E talvez algum rojão...

Um enterro concorrido
Vão querer certificar...
Morreu e está morrido
Já não pode mais falar!

O sino tocou por mim...
Amanhã por outro alguém
Todos têm o mesmo fim
Eterno não é ninguém...

Vou tranqüilo no caixão
Dessa vida sem cancela
Deixo um bando de ladrão
Para apagar minha vela...

Gastão Ferreira

segunda-feira, 15 de março de 2010

OURO & PODER

Anubis - O deus egípcio que julga os corruptos


OURO & PODER

Dizem que o ouro corrompe
Quem partilha do poder...
Duvido que o ouro compre
A quem não quer se vender!

Quem tem vergonha na cara
Tem caráter e educação
Numa boa não encara
Ser chamado de ladrão

Bonito ser apontado
Em todo e qualquer lugar
Como um sujeito safado
Que tudo quer rapinar...

Qual o futuro que espera
Uma pessoa assim?
Nada é eterno na Terra
Tudo na vida tem fim...

Viverão tenho certeza
Com seu ouro rapinado
Dinheiro de safadeza...
Tem o seu tempo contado

A vida dá tantas voltas
Está sempre a ensinar
Aquilo que tanto gostas
É a dor quem vai tirar!

Gastão Ferreira

IGUAPE


IGUAPE

Pergunto ao vento que passa
Esta cidade é feliz?
O vento terno me abraça
O vento nada me diz!

Pergunto ao povo na rua
Qual motivo da aflição...
Um triste olhar insinua
Mas o motivo diz não!

É medo ou incerteza
Do pacato cidadão
Que segue a correnteza
E rema na contramão

Na contramão do futuro
Não há porto a conquistar
Iguape está no escuro...
Pior não pode ficar!

Lá no alto da montanha
Um Cristo tudo a olhar...
Oh que tristeza tamanha!
O Cristo está a chorar...

Gastão Ferreira

domingo, 14 de março de 2010

QUANDO


QUANDO

Quando eu mandei embora
Por desacerto e dor
Tanto bem jogado fora
Meu querer e meu amor...

A vida bate na porta
Que já não consigo abrir
De tristeza nada importa
Nova flor não vai florir...

Beija-flor beija a saudade
Que teima em me visitar...
Foi embora a mocidade
Velhice vem me encontrar

Vou vivendo minha vida
Vou levando o meu viver
Vou fechando a ferida...
Vou tentando te esquecer.

Saudade vem de mansinho
Cansada de procurar...
Andou por tanto caminho
Para ao meu lado ficar...

Gastão Ferreira

UM POUCO MAIS


UM POUCO MAIS

Um pouco mais de verde – Serei flora
Um pouco mais de amor – Serei herói.
Joguei meu mundo pela porta a fora
E a dor do mundo em minha vida dói...

Noto o aplauso a tanto bandido
Vejo a criança estendendo a mão...
Homem honesto pelo mal banido
Choro a vitória da corrupção...

Qual incerteza que o futuro guarda?
Se já nem temos a quem recorrer
Oh minha alma como a espera tarda!
Negra agonia que me faz sofrer...

Um pouco mais de flora – Serei verde
Um pouco mais de herói – Serei Amor
Meu olhar triste nessa dor se perde...
E a noite abriga meu viver sem cor...

Gastão Ferreira

sexta-feira, 12 de março de 2010

DIA INTERNACIONAL DA MULHER


DIA INTERNACIONAL DA MULHER

Numa rica e próspera cidade, tão próspera que seus representantes não tinham nenhum problema a solucionar, nenhuma nova lei a ser discutida, nada a ser investigado, nada a ser melhorado, nada a fazer, resolveram comemorar o Dia Internacional da Mulher.
- Cada um dos Excelentíssimos Senhores indicará uma mulher a ser homenageada... Uma mulher que mereça o reconhecimento público pelo trabalho em prol de nossa cidade...
- Dona Escolástica! A dona da escola pode ser? Dona Escolástica além de minha amiga é uma abnegada empresária, fatura horrores com suas escolas, ela é minha indicação.
- Dona Emengarda! A que cuida dos meninos do bem é minha cunhada e meus irmãos ficarão gratos. Eu indico Emengardinha...
- A que sai peladona nos carnavais da vida?Sim! Ela é um ótimo exemplo para nossas jovens e tímidas donzelas... Um transtorno para a velharada religiosa que não pode ver alguém de bem com a vida.
- Peço a palavra Excelentíssimo! Essas mulheres humildes, honestas, íntegras e que tanto se dedicam gratuitamente ao bem estar do próximo deveriam ganhar um monumento frente a essa egrégia casa...
- Kákákáká... Kákákáká... Kákákáká...
- Tá rindo do quê? Oh pilantra.
- Olha a ofensa excelentíssimo!
- É mesmo! Tá rindo do quê? Excelentíssimo pilantra.
- Dessa sua idéia genial! Que beleza... Que sensatez... Pensei que os nobres colegas fossem indicar essas pobres que se matam para levar consolo aos necessitados em sítios distantes, as que adotam filhos alheios e se esforçam para poder criá-los dignamente ou outras que brigam por melhorias na cidade e até nos afrontam...
- Bem lembrado nobre colega! Essas homenageadas são nossas amigas, pessoas humildes como nós, gente como a gente, tão simples que se contentarão com uma flor como lembrança... Quer apostar que se escolhermos mulheres pobres além de sujarem nossos tapetes exigirão outras coisas como melhorias na saúde pública, uma maternidade, segurança e quem sabe até mesmo um velório municipal...
- Realmente nossa amada Pindaíba do Sul não merece passar por um vexame assim, pode até sair em algum jornal... Bonito em!
- Noooossa do que escapamos! Segura na mão de Deus...
- Ei! Menos... Essa fala é de outra convidada.

Gastão Ferreira
Obs. – Esse texto é ficção e Pindaíba do Sul não existe. Por favor, sem carapuça.

terça-feira, 9 de março de 2010

DOSSIÊ


DOSSIÊ ...


Desde criança Cornélio Bankoff foi diferenciado. Feio prá cacete se achava um galã. Magro de contar as costelas se sentia como o último biscoito do pacote, um biscoito especial adepto de algo chamado troca-troca. Trocava figurinhas por bolinhas de gude, bolinhas de gude por pião, pião por pipa, sempre tentando levar vantagem em tudo, enfim um esperto desde o berço com sua cara de otário e mente de pilantra.
Na hora certa se apaixonou e vieram os filhos. Gostava de amarrar a esposa grávida em móveis e enche-la de pancada, um casca grossa se passando por gente educada fingindo-se de puritano e defensor da moral e dos bons costumes.
O senhor Bankoff não era batalhador. Sua esposa que se matava de trabalhar para sustentar o marmanjo, o obrigou a estudar e a passar num concurso. Foi a salvação da lavoura, utilizando do cargo em proveito de terceiros foi escalando posições e armando contra colegas obteve promoções não merecidas.Filiou-se a um partido político, obviamente o que estava no poder, fornecia dados confidenciais dos desafetos e de todos aqueles que se utilizaram de seus serviços no local onde exercia seu oficio aos mandantes de plantão.
Quando o trambique foi descoberto Cornélio esteve para perder o emprego, os amigos políticos arrumaram uma transferência imediata para outra cidade. O hábito estava enraizado, prosseguiu fazendo das suas e de cidade em cidade acabou retornando a seu local de origem.
A esposa separou-se de Cornélio, que inconformado por não ter mais em quem bater tratou de denegri-la das piores formas possíveis, usou o poder do dinheiro para tornar em inferno a vida da ex. Um pistoleiro foi pago para simular um assalto e matar a ex-companheira e o senhor Bankoff até hoje é chantageado pelo pistoleiro de aluguel.
As pessoas prejudicadas por Cornélio, sabedoras de seus costumes jamais lhe deram confiança e ele nunca obteve sucesso nas tentativas das quais participou para ser algo mais do que capacho dos poderosos.
O senhor Cornélio Bankoff envelhece sem nada aprender. Continua aparentando o manso cordeiro, mas quem o conhece sabe do lobo sedento de vingança, dos baixos instintos, da imoralidade escondida na falsa bondade, da máscara, das falcatruas por trás da honestidade inexistente.
Com certeza a carapuça vai servir, foi feita sob medida e tem endereço de entrega a quem gosta de fazer dossiês por pura vingança, inveja ou incapacidade mental... A máscara vai cair? Qual a reação das pessoas envolvidas nos Dossiês?Qual será o fim de Cornélio Bankoff?... Esse texto é ficção, base para um futuro livro onde a vida e artes do senhor Cornélio serão contadas nos mínimos e sórdidos detalhes. Tem esse título “Dossiê” por ser através da coleta de dados que o senhor Bankoff arma suas mal sucedidas arapucas.

Gastão Ferreira

sábado, 6 de março de 2010

UM DIA DEPOIS DO FIM...


UM DIA DEPOIS DO FIM...

Aquela cidade, tão perto do mar, estava vivendo dias conturbados. Seus habitantes não sabiam mais a quem recorrer. Calçadas entulhadas de lixo, impostos atrasados em execução judicial, falta de emprego, saúde em descrédito, falta de segurança e alguns espertos aproveitando-se da situação caótica tinham a cara de pau de viajar em jatinhos fretados para turistar de graça, participar de festas, festinhas e festão em locais inusitados sem dar a mínima para a opinião pública. A única coisa boa nisso tudo era que ao se descobrir uma nova farra, sempre através da imprensa, alguém era defenestrado. Não era despedido por ter participado da maracutaia, mas sim pelo descuido de falar ou fotografar a gastança secreta.
O tsunami foi anunciado com vinte e quatro horas de antecedência por uma agencia norte americana. Ninguém sabia inglês e quando descobriram o que era o tal tsunami faltavam exatas cinco horas para a consumação da tragédia. Haviam confundido o recado, “Tsunami chegará dentro de 24 horas”. Julgaram ser o nome de um japonês que enriquecera como dekasaki e estavam preparando as boas vindas e estocando foguetes para a calorosa recepção ao filho amado que daria uma reforçada ao caixa dois da tribo, quando descobriram o engano.
Ao saberem que o tsunami era uma onda gigantesca que varreria para sempre a progressiva cidade do mapa cultural do mundo, os donos da cidade reuniram-se em articulações, primeiros os meus e depois os teus... Cofres foram esvaziados, obras de arte afanadas, familiares reunidos e carros postos a serviço do pequeno bando se deslocaram atulhados de bens materiais para locais mais elevados e fora do município. Todo esse esquema e sua realização consumiram quatro horas. Faltava apenas uma hora para a tragédia quando o último e honrado cidadão do grupo dos que sabiam do alerta estrangeiro se apossou da imagem milagrosa do Orago local e sem olhar para trás abandonou a cidade a sua sina.
O povo estranhou a movimentação, mas já estava acostumado com as idas e vinda e pensou ser mais uma festinha secreta da qual tomaria parte a elite local. A única coisa que chamou a atenção foi levarem o Santo para participarem do evento, afinal o São da Ilha era o protetor e jamais poderia participar de negociatas e atos ilícitos, boa coisa não deve ser! Diziam.
A onda gigante chegou, fez seu trabalho matando a totalidade dos habitantes. Todo o litoral foi atingido e milhares de pessoas desapareceram para sempre. A pátria chorava a perda de seus filhos, o mundo voltou os olhos para aquela região pobre e abandonada, ninguém sobreviveu para contar a história... Ninguém?
Os repórteres televisivos descobriram o comboio e a noticia ganhou manchetes na mídia:- Um grupo de sobreviventes salva um Santo milagroso da destruição. Apesar de a religião estar em plena decadência, da falta de Fé e de Amor ao próximo o São da Ilha fez milagre protegendo seus fiéis da morte certa e preservou para beneficio da nação essas admiráveis figuras que por amor ao sagrado abandonaram seus lares. Que sejam aplaudidos como exemplo de honra, coragem e humildade. Um imenso santuário em homenagem aquele que ficará para a posteridade conhecido como o defensor perpétuo da virtude e do civismo será erigido, sua contribuição para a obra grandiosa pode ser encaminhada ao seguinte banco...

Gastão Ferreira

Obs. – Esse texto é ficção... Em nenhuma cidade que se preze poderiam ocorrer tais fatos. Por favor! Sem carapuças.

UM HOMEM NA FLORESTA


UM HOMEM NA FLORESTA...

Na floresta a situação estava crítica, os animais desanimados e sem perspectivas estavam destruindo o local. Os regatos poluídos, as trilhas sujas, árvores frutíferas improdutivas. Os animais mais velhos aconselhavam os jovens a procurarem outros ares mais salutares, que largassem o habito nocivo de cheirar o que não deviam que o cheiro de mato queimado fazia mal ao cérebro e que não necessitavam de nenhum craque, aja visto que não praticavam esportes.
A floresta possuía suas próprias regras, uma flora luxuriante e uma fauna variada. No passado os Tamanduás conquistaram a realeza, um Cão Policial também se fez rei, um Raposo obteve a duras pena o trono, mas por ser raposa não conseguiu fugir da sina e tanto roubou que foi destronado.
Muitos dos habitantes da floresta acreditavam que ela foi amaldiçoada num tempo não muito remoto e tentavam provar tal fato. Os Macacos sempre brincalhões afirmavam que os Raposos estavam por trás da estranha maldição desde que um deles se aproveitando do poder usava e abusava da pedofilia em proveito próprio.
Os bandos de Capivaras só queriam sossego e ficavam na beira d’água vendo o tempo passar, os Tatetos arredios eram paparicados com alimentos e mimos. As Antas corriam de um lado para outro participando de todos os eventos da mata e aplaudindo os reis de plantão. Os Veados saltitantes eram a alegria da floresta, amigos da realeza e paus mandados dos reis, viviam suas vidas medíocres azarando a todos.
Uma Formiga muito amada e estimada por todos por ser trabalhadora e ter fama de honesta conquistou o cetro imperial, mas a cruel maldição foi implacável e a formiguinha toda amor era uma farsa, uma Raposa travestida de Formiga. Reuniu o que havia de pior na floresta e formou sua corte, foi um Tupã nos acuda! Cobras criadas, Quatis sem expressão, Bambis em corre massa apaixonados por seguranças e subalternos, Ovelhas negras pintadas de branco, Jaguatiricas se passando por Onças, enfim uma loucura total.
Não bastando todas essas mazelas, um Rato estranho a floresta era apontado como o grande vilão, pois todas as riquezas fluíam para ele. Esperto como só pode ser um Rato muito matreiro comprava corações e mentes com o ouro superfaturado. No escuro da floresta, um local habitado por fantasmas, muitos boatos e fofocas eram sussurrados. Os animais jogados a própria sorte não tinham a quem recorrer e os poucos que privavam dos afagos da corte eram tidos na conta de amantes de algum mandante, espiões da realeza ou comparticipes de esquemas suspeitos.
Tupã mandou diversos sinais de que não estava gostando da bagunça generalizada. Mandou chuvas torrenciais, calor insuportável, gripe, dengue e diarréia... Nada! Mandou raios e trovões... Nada! Já estava para desistir quando se lembrou de um animal terrível, um animal que se intitulava a si mesmo o rei dos animais... Mandou um Homem até a floresta e foi assim que todos os animais foram exterminados e as árvores destruídas... Na atualidade uma grande pastagem cobre o local e pacatos búfalos sorvem a água do grande rio que silencioso busca o mar.

Gastão Ferreira

Obs.- Esse texto é uma fábula para mostrar como o bicho homem é cruel e como os animais aprendem rápido... Então nada de vestir carapuça nos personagens. Obrigado.

terça-feira, 2 de março de 2010

FELIZ ANIVERSÁRIO


FELIZ ANIVERSÁRIO

Tudo começou no meu vigésimo quinto aniversário... Um quarto de século tem que ter uma grande comemoração, uma festa inesquecível. Luana com seu vestido azul e seu sorriso luminoso, minha noiva, encarregou-se do evento. A festa foi no antigo casarão da família, pais, avós, parentes e amigos reunidos em celebração.
Luana estava feliz, casaríamos em breve e ela queria mostrar a todos que era uma excelente dona de casa... O bolo!... Onde estava o bolo?Dona Maria Santa, a doceira da cidade teria esquecido o pedido?Tudo era motivo de risos, éramos jovens e o mundo nos pertencia... O bolo era especial, uma surpresa de minha noiva aos convidados e Luana fez questão de ir sozinha buscá-lo e nunca mais voltou.
Procuramos desesperadamente por Luana. Dona Maria Santa confirmou a entrega do bolo, disse que Luana estava alegre e de bem com a vida e que estava só. Vasculhamos a pequena cidade e nem sombra de Luana. Naquela época a cidade era uma ilha. Não!... Não!... Luana não saíra da cidade.
Durante todos esses anos jamais esqueci meu primeiro amor, Luana, mas o tempo passou, a ferida cicatrizou e casei com Jessica. Tenho dois filhos, quatro netos e o mais velho têm o meu nome e ao vê-lo me vejo no verdor da juventude, é a minha imagem e semelhança. E hoje estou completando setenta anos. Detesto festas de aniversário, mas setenta anos é um marco a ser comemorado.
Ainda moro no antigo casarão, hoje tombado pelo Patrimônio Histórico Nacional. Nesses quarenta e cinco anos muita coisa mudou. Fora o velho centro a cidade está irreconhecível.
Hora dos parabéns... De cortar o bolo. Todos entorno da grande mesa... Alguém toca a campainha... Um convidado retardatário? Quem será?
- Vovô! Uma moça com um bolo e uma roupa antiga quer entrar.
Todos se voltam para o vestíbulo e uma jovem de vestido azul e um imenso sorriso com um pequeno bolo confeitado se aproxima de meu neto e diz:- O nosso bolo amor! Feliz Aniversário.
Luana?

Gastão Ferreira

segunda-feira, 1 de março de 2010

PESADELOS


PESADELOS

Os pesadelos são sonhos
Que não puderam nascer
São eles ecos tristonhos
Que não chegaram a viver.

E no escuro das noites
Eles nos vêm visitar...
Com murmúrios e açoites
Querendo a vida voltar.

Perdidos pelos caminhos
Soluçando em solidão...
De nossa alma espinhos
Filhos de nossa ilusão...

Implorando pela vida
Desconhecendo a razão
No sono é ave ferida
Deixam dor no coração.

Os pesadelos que choram
Fechados na escuridão...
São fantasmas que imploram
Por nosso amor e por perdão!

Gastão Ferreira