domingo, 14 de fevereiro de 2010

NINA NENÊ


NINA NENÊ

Nina Nenê era pobre. De uma pobreza moral extrema. Vivia do corpo e para o corpo. Alma vazia preenchida com festinhas. Não olhava ninguém nos olhos, pois acreditava ser o comportamento correto para uma representante da elite.
Nina era na verdade uma garota insuportável. Medíocre e burra sem uma gota de semancol. Com caras e bundas abria seu espaço se achando o máximo e desdenhando os semelhantes.
Moralmente os iguais se atraem e Nina cativou com seu desdém um grupo afim. Descobriu as vantagens de engambelar os outros, tirar partido da carência dos excluídos. Viver de aparência e se exibir a custa do suor alheio.
Pela primeira vez na vida Nina andou de avião. Desfrutou de um hotel sete estrelas. Pela primeira vez comeu caviar e bebeu o verdadeiro champanha francês. Curtiu com tudo o que tem direito um iate e se esbaldou em festinhas particulares.
Nina ofuscada pelo brilho passageiro e amoral dos que se julgam donos de cofres que não lhes pertencem tudo fotografava. Tinha que provar as amigas e familiares que as incríveis histórias que contava eram verdadeiras. Que era possível desfrutar dos prazeres do mundo a custa do sofrimento alheio. Tinha que mostrar que ela chegara lá. Que agora também fazia parte do mundinho obscuro onde à retaliação, a desonestidade e a ganância comandam.
O álbum fotográfico de Nina foi roubado e suas fotos estampadas em uma revista famosa. Ali estava a prova das coisas apenas murmuradas e negadas. Nina foi defenestrada e teve que voltar à sua vida medíocre de caras e bundas, mas após provar o gosto da arrogância e da prepotência com certeza ficou um pouquinho pior... Nina Nenê!

Gastão Ferreira

Obs.- Crônica bobinha. Qualquer semelhança com a realidade é mera coincidência. Um pobre sempre pode progredir, mas pobre de espírito só retrocede.

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