sexta-feira, 1 de janeiro de 2010

OS DROX



OS DROX


Eles não tinham nomes próprios... Chamavam-se a si mesmos de Drox e chegaram de mansinho vindos do espaço exterior. Confundiram o portal de acesso a cidade com um espaço porto e ali aterrizaram. A nave era pequena, pois os Drox se assemelhavam a pássaros.
Planaram sobre a verde montanha tentando fazer contato com bandos de urubus que do alto observavam os milhares de sacos de lixo que enfeitavam a cidade na passagem do ano.
Deslocaram-se a Praia do Leste e assistiram embasbacados o mar levando casas e árvores. Voaram sobre o lagamar assoreado, foram atraídos pelo holofote sobre o morro e assistiram a magnífica queima de fogos de artifícios que saudava o nascimento de um novo Ano.
Passaram por sobre a Praça central e ficaram admirados com o número de pessoas reunidas no local... Um monumento chamava a atenção popular. Qual o significado da estrutura? Sería uma obra de arte?
Qual mensagem estaria passando aos visitantes?
Os humanos eram seres estranhos. Fechados em seu pequeno planeta azul desconheciam as diversas raças que povoavam o universo. Acreditavam que eram os senhores da criação e donos dos demais viventes que compartilhavam de sua casa no espaço. Sua mente estava poluída com a ganância, com o egoísmo, com a vaidade e tudo isso impedia uma visão mais abrangente da realidade existir.
Os Drox imediatamente os classificaram como seres inferiores num estágio primário de desenvolvimento moral. Como podiam os humanos conviver com a riqueza e a miséria? Com a dor e o riso? O saber e a ignorância?Pareciam não perceber a beleza que enfeitava todo o planeta. Não valorizavam as árvores, seres que surgiram bem antes da raça dos homens. Os animais comparticipes da vida eram tratados como bens pessoais. Como podia alguém se arvorar em dono de um ser vivo?Como podia alguém explorar um semelhante?Como podia alguém que se cresse integro e honesto se apropriar de bens comuns?
No relatório sobre a breve estadia deixaram claro que o homem não estava preparado para participar e partilhar do universo, que a quarentena imposta à raça dominante no planeta Terra deveria ser mantida e enquanto não aprendessem a respeitar os seus semelhantes, as visitas vindas do espaço exterior não deveriam manter contato.
A pequena espaçonave se afastou do planeta. Ainda não chegou a vez de turistas espaciais compartilharem conosco os mistérios e as maravilhas do universo, mas em algum lugar num mundo muito... Muito distante alguém está falando sobre nós.

Gastão Ferreira

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