sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

O ANJO


O ANJO

Quando o Anjo surgiu Lidú não estava preparado: ”- Tenho tanto para fazer! Problemas a solucionar, contas a acertar pequenas coisas a concluir.”
O Anjo sorriu: ”- Chegou à hora da viagem! Nada de levar coisas desnecessárias. Na bagagem apenas as realizações, os gestos de bondade, o carinho ofertado, a palavra amiga, o amor aos semelhantes, o altruísmo e o desprendimento.”
- Oh Anjo! Minha bagagem não é leve. Muito trabalhei para conquistar um lugar ao sol. Construí casas, ergui empresas, meu nome consta de diversas placas em diferentes locais, sou um grande político.
- Não Lidú! Eu não vim buscar o político, eu vim em busca de uma alma imortal e das conquistas espirituais por ela realizadas.
- Conquistas espirituais?
- Como político você teve oportunidades únicas. Criar e executar leis para tornarem a vida mais digna, auxiliar os menos favorecidos, exemplificar a ética, a honestidade, a bondade. Por suas mãos passou fortunas a serem empregadas na comunidade. O bem estar de muitas pessoas dependeu de uma simples decisão ou assinatura sua.
- Não Anjo! Não é bem assim. Somos uma equipe e se um dentre nós não concordar nada pode ser realizado. Tomamos decisões em conjunto, todos os colegas participam e não posso ser responsabilizado pelo comportamento de um grupo.
- Não estou te julgando Lidú! Eu também faço parte de uma equipe, sou apenas o teu acompanhante nessa viagem de volta. Quem vai te julgar é tua própria consciência...
- Se é minha consciência quem me julga estou absolvido. Nada fiz que não tivesse uma justificativa de minha parte e estou tranqüilo.
- Que bom! A lei de causa e efeito costuma ser fatal...
- Lei de causa e efeito! Que é isso?
- Toda a ação gera uma reação. Espero que teus atos não afetem negativamente os que em ti confiaram. Que não fostes causa de tristeza, desesperança, lágrimas, fome. Que com o teu trabalho tenhas melhorado a tua cidade, dado um exemplo de humildade, plantado progresso e dignificado teu cargo público.
- Anjo! Eu não posso partir. Por favor, me dê uma nova chance!
- Você já teve a chance! Foi você que pediu para ser político e assim saldar velhas dívidas. Chegou a hora do acerto de contas... Vamos!

Gastão Ferreira

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