quinta-feira, 10 de setembro de 2009

A DAMA NA JANELA

A DAMA NA JANELA



I - PALACETE
Família tradicional.Em seu palacete na praça principal recepcionou o imperador quando de sua inesquecível visita a cidade. O coronel José Galvão, senhor de escravos e engenhos, proprietário do imóvel ali habitava com a esposa e filha.

II - MARIALVA
Marialva a única descendente e herdeira do coronel estava inconformada. O pai não concordava com seu namoro com Adamastor, um pescador sem eiras e beiras que roubara seu coração. Nunca abriria mão de sua felicidade, estavam no ano de 1859 no século das luzes e não na idade média. Saberia lutar por seu grande amor.


III – ADAMASTOR
Adamastor jamais perdoara o coronel José Galvão pela morte de seus pais. Em criança, escondido na mata, presenciara a carnificina comandada pelo coronel em pessoa. Sua casa incendiada, família carbonizada e terras apossadas. Criado por um tio, ninguém soube que sobrevivera a tragédia.



IV - CASAMENTO
O assassino não foi encontrado. O coronel e esposa mortos numa emboscada. Marialva casa-se com Adamastor. Vendem bens e propriedades, transformam tudo em ouro e decidem começar vida nova no Rio de Janeiro. Adamastor viaja para apressar a mudança. Marialva permanece no palacete já vendido a espera do aviso para a mudança. O aviso demorou, mas chegou:- “Vapor “Mãos Limpas” naufragou nenhum sobrevivente.”


V - LONGA ESPERA
Marialva foi despejada de seu antigo palacete. Toda a riqueza estava em mãos de Adamastor. Apesar do bilhete Marialva tinha certeza que seu esposo sobrevivera e que viria a seu encontro. Sem bens, sem dinheiro, sem profissão virou pedinte, adoeceu, morreu... Morreu?
Adamastor trocou de nome, Nivaldo. Riquíssimo, casou com Cássia, constitui família e tocou a vida. Sua vingança fora plena.
Marialva, dizem, espera até hoje a volta do esposo amado. Na última janela de um velho prédio abandonado, frente ao mar, aguarda o momento em que um navio qualquer trará seu amor. São cento e cinqüenta anos de espera. Muitas pessoas no decorrer das décadas viram Marialva debruçada na janela, esperando... Esperando.


Gastão Ferreira

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