quinta-feira, 27 de agosto de 2009

PAU MANDADO DO REI


PAU MANDADO

A plebe tem um estranho comportamento, não pode ver um nobre que se põe a babar. Reclama de tudo pelos becos e escurinhos da vida, desde o destrato casual do rei, do vestuário caipira das princesas, dos costumes dos poderosos. Faz insinuações maledicentes sobre a corte e comezinhos do palácio, mas na hora do vamos por para quebrar sempre tem uma recaída:- Oh! O rei é lindo, acenou para mim.
Esquece facilmente que é usada pelos detentores do poder. Pior de tudo, o poder sabe disso e se aproveita da situação. Esta história começou nas cortes medievais, quando os reis se achavam escolhidos por Deus e que por isso deviam ser diferenciados.
Um rei cujo nome a história nem marcou, tão insignificante foi seu reinado, recolheu ao palácio uma criança órfã para servir de pajem e brinquedinho a seu tolo filho. Alimentou-o, curou suas doenças e o vestiu com belas roupagens. A criança tudo aprendeu sobre o submundo do poder. Apunhalou seus mestres, indicou amigos ao cadafalso, jogou desafeto barranco abaixo. Tal mancebo fez escola e a partir dessa data todas as cortes adotaram a prática de terem entre os seus um “pau mandado” para cumprirem fielmente as piores ordens dos poderosos, costume que se perpetuou no tempo.
Esses seres humanos chamados de paus mandados são facilmente reconhecidos em todas as cortes do mundo. Propensos a armarem barracos, sorrisos congelados e falsos, olhos arregalados, mil trejeitos, insinuantes e venenosos ao extremo, com o tempo lideram subgrupos que se apegam ao poder e a tudo se submetem para não perdê-lo. Um único antídoto é capaz de exterminá-los, a sua não aceitação. Eles não conseguem sobreviver longe do foco das atenções, transformam-se em alcoólatras, drogados, degeneram rapidamente e morrem. Um pau mandado em lugares civilizados tem vida curta. Em locais ainda carentes de progresso, cidadania e educação, sobrevive por longo tempo.
Um pau mandado é tudo o que um político incorreto sonha possuir. Ele é o alvo das intrigas, desafetos e fofocas, desviando a atenção dos atores principais para si e arcando com as conseqüências. Custa caro ao poder, mais caro do que admitir fracassos, pois sempre é causa de desavenças e retaliações. Ainda bem que entre nós não existe tal prática, estamos em boas mãos e a transparência é total, sinal que trilhamos o caminho certo.

Gastão Ferreira

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