sexta-feira, 21 de agosto de 2009

A GAIOLA - COCHO & BERNE



A GAIOLA – COCHO & BERNE

Montanhas verdejantes, rios piscosos e lá ao longe o soluçante mar. Uma gaiola no alpendre, nela dois pássaros, Cocho e Berne, entre eles um pote de alimentação que mal da para saciar a profunda fome de ambos. Quando o Cocho se apropria da comida, o Berne sofre, definha, chora e maldiz a vida cruel, mas pensa la com suas penas:- Quando o pote for meu! O Cocho me paga, nem as migalhas o deixarei bicar.
Os pássaros não têm consciência de seu cativeiro. São egoístas e orgulhosos, cada um só pensa em si e no próprio bem estar. Não notam que a gaiola é um bem comum, um pequeno mundo, que devem tentar melhorar retirando os cocos acumulados. Ao contrário, escondem suas cácas nas camadas de palhas que forram o chão causando sua destruição.
Os passantes sempre notam a extrema tristeza em um dos pássaros. Se Berne canta, Cocho chora. Se Cocho está feliz, Berne está descontente. E as intrigas e desacertos dos pássaros afugentam os turistas que por ali passam.
Javé, o dono dos pássaros, sabe que isso é uma briga de irmãos, pois no fundo o Cocho gostaria de ser Berne, e o Berne sonha em ser Cocho. Javé chegou ao extremo de trocar os nomes para solucionar o problema. Tamanduá e Formiga, não acostumaram com o novo nome, e assim ruiu toda e qualquer tentativa de acerto.
O que era para ser um pequeno problema virou uma palhaçada. A gaiola está sendo destruída, não respeitam a própria casa, cocô acumulado de ambas as partes, sujeira a vista ou escondidas entre ressentimentos mútuos, acusações sem fundamento colocam em perigo a todos. Cocho e Berne ainda não perceberam que estão a um passo do fim. Não sabem, ou não querem saber que basta que juntos limpem a gaiola que eles mesmos sujam e destroem que comecem a cantar unidos e tudo mudará. A paz, a esperança, a renovação e a transparência farão seu trabalho e a vida voltará a fluir como benção, jamais como castigo.

Gastão Ferreira

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