sexta-feira, 17 de julho de 2009

FESTA JUNINA - CASAMENTO NA ROÇA




Oi amigão! Tenho novidades. Papai me levou para assistir a um casamento na roça, disse que faz parte de minha formação como cidadão e quero compartilhar com você esta nova experiência. Foi no centro de eventos de minha cidade. Armaram uma tenda enorme e lotada de convidados, de um lado os ricos e do outro os pobres. No lado dos sem futuro tinha espetinhos de carne, pipoca, quentão, quentão e quentão. No lado dos sempre bem favorecidos, tainha na brasa, costela assada, salada de maionese, arroz, cerveja e uísque.
O casal de noivos, Karlota e Kassiano estavam uns amores, só beijim beijim. Ela vestia uma cobra tatuada e ele um velho terno caipira feito de panfletos que não foram distribuídos em um grande evento passado. A mãe da noiva, dona Todamor pagou a festança, dizem que só em foguetes foram vinte mil reais, bem mais do que foi gasto no carnaval, também casamento de filha querida é coisa para ficar marcada para sempre. Os comes e bébes dos pobres ficaram em quinhentos reais e a comilança dos ricos em setenta e cinco mil reais. Puxa! Como o rico come e o pobre paga a conta!
O que não entendi é que toda à hora se agradecia a um Papai Noel que tem um som. Papai Noel não tem um trenó? A noiva ganhou do bom velhinho sua décima TV de plasma de cinqüenta polegadas e sua mãe também foi mimoseada. Apresentaram um coral com cantores vestidos de anjos e arcanjos, que foram regiamente presenteados pelo Papai Noel do som, digo, do sem trenó. Esse Papai Noel foi muito bonzinho. Para as crianças dos ricos distribuiu até computadores e para nós pobres jogava balas, ainda bem que eram balas de açúcar e não de chumbo.
Voltando ao casamento. A noiva estava radiante, poderosa, charmosa como sempre e sua madrinha era uma “zinha” com os óculos na ponta do nariz, que fazia cara de nojo para o povão que ria de seu cabelo desgrenhado. Os convidados especiais que estavam ocupando a parte nobre da grande tenda, pareciam desconfortáveis, papai disse que era por causa de retaliações causada por uma tal prestação de contas, concurso cancelado, destroca de favores, sei La! Coisas de gente honesta e transparente. Mas tudo foi resolvido pelo Papai Noel sem trenó que após cochichar com dona Todamor, a mãe da noiva, entregou a cada um dos especiais um envelope, creio que era um convite para algo muito importante, pois todos eles pararam de fazer beicinhos.
A festança voltou a ficar animada. A noiva jogando beijinhos para os pobres e flertando com os poderosos. A coisa ficou feia na hora da dança da quadrilha. Quando chamaram a quadrilha para dançar, começou um empurra empurra entre os convidados especiais e a baixaria tomou conta, ofensas, palavrões. Falaram coisas que eu não entendi, notas fiscais frias, superfaturamento, favores negados, nepotismo, em fim todas estas palavras que não compreendo. Os seguranças da festa ficaram inseguros e sobrou pancada para todo o lado. Meu pai e alguns amigos foram embora do local antes que sobrasse para eles e fomos assaltados pelos rapazes do bem, que roubam uísque em supermercados e roupas de grife nas lojas, mas que ninguém fica sabendo por que são de famílias de bem. Pedimos carona à turma do mal, e como estavam todos de mal nos trouxeram em segurança até a porta de casa.
Foi o melhor casamento na roça que assisti. Ainda estou em dúvida se acrescentou algo ao meu aprendizado como cidadão. No ano que vem, se a noiva não morrer, for abandonada ou fugir da cidade, vou pedir ao papai para convidar você para nos acompanhar. Um abraço

Seu amigo Dudu
GASTÃO FERREIRA/IGUAPE
www.gastaodesouzaferreira.blogspot.com
Obs.:- Esse texto é uma obra de ficção. Não tem nada a ver com a realidade. Não vistam carapuças que não lhes pertencem. Os personagens só existem em minha imaginação, não
Cerquem minha criatividade com agressões e chiliques, nossa cultura não merece isso, são os
os escritores que presenteiam o futuro com histórias para vossos descendentes.

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