terça-feira, 9 de dezembro de 2008

TUDO PASSA


TUDO PASSA



Tudo passa e tudo prossegue. A vida é dinâmica e estamos todos juntos fluindo no grande rio da existência. Os ignorantes nadam em meio a pedras, defendendo-se como podem das vicissitudes do ser e estar. Os corajosos vão pelo meio, onde conseguem ter uma visão privilegiada da imensidão das águas. Os mais fracos seguem próximos a margem, temerosos e indecisos quanto o há de vir.
O rio vai seguindo sem se importar com nosso medo, fome, sofrer, fanatismo e ilusões. Ele só quer chegar ao vasto mar, nos levando consigo, a fim de ensinar a cada um de nós o que realmente importa nesse tempo/espaço que nos foi dado para partilhar da criação.
O que conta é tão pouco, é tão simples. Viva e deixe viver. Não tenha arrependimentos. Aprenda e pratique o bem. Seja feliz. O rio é para ser compartilhado, nenhum ser é melhor do que o outro. Um dia no fim da jornada todos estaremos a sós com nossos próprios fantasmas e eles serão nossa eterna companhia.
Algumas pessoas perdem-se na ilusão. Distanciam-se de seus semelhantes, criam personagens arrogantes e mesquinhos, usufruem o bem comum em detrimento de facções e grupos. Carregam ódios e rancores. Terão seus nomes em ruas, escolas, pontes e passarelas, até que um dia seus ilustres nomes não mais farão sentido e serão trocados por outros de népos, népinhos e nepões.
Outros se transformam em assassinos, assaltantes, falsos pedintes. Ganham no grito o que custou o suor de muitos. Pagarão o preço da atuação de seus personagens em fome, doença e prisão.
O rio continuará a correr sereno. Flui desde o começo do mundo e vai continuar seu caminho enquanto a terra existir, o vento soprar e a chuva cair.
O sapo estava triste. A lagoa secava a olhos vistos. Todos os habitantes do local viviam apavorados, apenas o gato estava feliz. Era carnívoro e a comida era farta. Quanto maior a pobreza, maior a esperteza, dizia o gato.
Quando todos já exaustos nem mais acreditavam em socorro, veio a chuva, muita chuva. A lagoa encheu, transbordou. O gato, péssimo nadador foi exterminado. O rio aumentou de volume e juntou suas águas às da lagoa.
O imenso rio, que alguns chamam de vida e outros de destino, seguiu seu caminho sem anotar o nome do sapo e do gato, ou de qualquer outro vivente que encontrou em seu longo percurso. Assim é o existir desde o começo do mundo. Tudo passa e tudo prossegue. Cada um de nós escolhe em que trecho do rio quer nadar e cada um de nós paga o preço de ter ousado viver.

GASTÃO FERREIRA/IGUAPE/SP

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